Primeiro, nos sentimos agredidos ou prejudicados por outra pessoa e achamos que ela é a culpada pelo nosso sofrimento. Depois, passado um tempo, perdoamos. Contudo, é possível que continuemos a achar que somos inocentes, e o outro é a origem das nossas dores. Dizemos: “Você me prejudicou. Mas eu te perdôo”. Mas para os budistas, esta atitude não é nada louvável.
A visão budista parte de um princípio radicalmente oposto: na vida não há o que perdoar e sim agradecer, já que qualquer situação é uma oportunidade de crescimento. “Quando as coisas vão mal em nossa vida, tendemos a considerar que a situação em si é o problema. Mas os problemas vêm da nossa mente”, afirma a monja budista Gen Kelsang Pelsang, fundadora do Centro Budista Mahabodi, em São Paulo.
“Se reagíssemos às situações difíceis com uma mente positiva e serena, elas não seriam um problema para nós. Poderiam até ser vistas como desafios ou oportunidades de crescimento. Problemas surgem apenas se reagirmos às dificuldades com um estado mental negativo. Entendendo isso, não há nada nem ninguém a ser perdoado”, explica.
Pelsang defende a ideia de que todas as pessoas e situações que surgem em nossas vidas nos dão oportunidades positivas. Por exemplo:
• Quando nos irritam, podemos reagir praticando PACIÊNCIA.
• Quando nos pedem esmola, podemos praticar GENEROSIDADE.
• Quando estão sofrendo, podemos praticar COMPAIXÃO.
“Se algo nos faz sofrer, ao invés de acusar alguém, devemos nos perguntar porque estamos reagindo desse modo e, imediatamente, mudar nosso comportamento. Desse modo, nunca teremos que ‘perdoar’ os outros. Vamos sempre poder ‘agradecer’ pela experiência que nos proporcionaram”, orienta a monja.