Para muitos estudiosos, todos os problemas relacionados à mente humana começam com o nosso modo de encarar o mundo. “A nossa apreensão da realidade se dá de maneira subjetiva, ou seja, nós é que colocamos os nossos filtros, valores, crenças, até formarmos um processo interno e individual que avalia, julga, conclui e dá sentido a toda e qualquer experiência”, explica Mirtes.
Assim, se um evento foi apreendido como desagradável, a tendência será evitar sua repetição, pois é atribuído a ele um valor negativo. Com esse gesto, temos a criação de uma verdade subjetiva, exclusivamente baseada nos sentimentos, emoções e estados de humor de cada um. “Essa interpretação da realidade é o que compõe nossa autoestima, ou autoimagem, determinando todo o nosso comportamento”, afirma a psicanalista.
O meio social também é um fator determinante na formação de nossa autoimagem, contribuindo com a construção dos nossos valores. Por tal razão, em algumas culturas, a timidez é vista como uma qualidade. Os orientais, por exemplo, atribuem à instropecção características como recato, concentração e disciplina, que são muito valorizadas por eles.
Diversos estudos já comprovaram que a timidez também é uma característica genética. É fácil notar, por exemplo, que mesmo crianças bem pequenas já se mostram mais tímidas que outras, preferindo brincar sozinhas. Tal característica tende a acompanhar o indivíduo ao longo da sua vida, mas existe uma fase que, definitivamente, não deixa dúvidas sobre esse traço da personalidade. “Na adolescência, a timidez atinge seu estado mais agudo, pois as próprias mudanças no corpo levam a pessoa a querer se afastar do convívio social”, analisa Sylvia. “Nesse período, caracterizado pelo afloramento da sexualidade, também surgem os tabus impostos pela sociedade, o que faz com que o adolescente fique ainda mais retraído”, completa a psicóloga.
Na idade adulta, quando as características da personalidade se cristalizam, os efeitos da timidez podem ser sentidos na vida profissional, reafirmando a real necessidade de mudança. “Muitas pessoas perdem boas oportunidades por simplesmente não conseguirem expor suas idéias em público. Só então percebem que é preciso modificar seu modo de ser”, comenta Sylvia.
Sempre é tempo para reavaliar valores e trabalhar internamente a questão da timidez. Como recomenda Mirtes, a qualquer momento, a pessoa tímida pode aprender a modificar seu comportamento e ter uma relação mais harmoniosa com as outras pessoas. “Mesmo com todas as nossas diferenças, somos profundamente parecidos; ninguém é absolutamente bom em tudo, ninguém agrada a todos. Por isso, devemos relaxar e curtir o que é nosso e belo por natureza”, orienta a profissional.
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