Veja por que incentivar a autoestima das crianças é uma forma de prepará-las para que um dia sejam adultos felizes e confiantes de suas capacidades. Quem dá as dicas é a psicóloga Katia Horpaczky
Texto • Katia Horpaczky
De forma geral, os sentimentos são muito parecidos com um espelho: quando demonstramos afetividade por alguém, essa pessoa torna-se nosso espelho e nós, o dela. Refletindo um o sentimento do outro, desenvolvemos o forte vínculo do amor – sentimento da essência humana.
Os pais atuam como espelhos refletindo determinadas imagens no filho. É através dessa interação afetiva, dessa reflexão especular, que desenvolvemos todos os nossos sentimentos de forma positiva ou negativa e começamos, desde crianças, a construir nossa autoimagem.
Em geral, a opinião que uma criança tem de si mesma está intimamente relacionada à sua capacidade de aprendizado e rendimento. Afinal, quando a criança começa a perceber que tem êxito no que faz e se sente encorajada pelos pais, passa a confiar em suas capacidades e em seus recursos internos. Assim, quanto mais ela acreditar que pode fazer, mais conseguirá, mais irá ousar e aprender a enfrentar e superar seus medos.
Mas, quando os pais expressam suas opiniões sobre seus filhos a partir de uma perspectiva negativa, taxando-os de inúteis e incapazes ou usando de zombarias e de ironias, irão despertar na criança uma imagem de pequeno valor. E, se com os amigos, na rua e na escola as mesmas opiniões se repetirem, teremos um adulto com possível problema de baixa autoestima e dificuldades para se autoavaliar.
Desde muito cedo, é importante que os pais ensinem aos filhos que eles podem realizar bem algumas atividades, mas que podem ter problemas com outras, afinal, nem sempre tudo dá certo. Apresentar tais conceitos evita frustrações e manhas, já que a criança passa a entender que não é toda vez que ela vai conseguir tudo o que quer.
Mas para que essas lições sejam efetivas, os mestres devem ser coerentes, ou seja, a postura dos próprios pais tem de servir como ótimo exemplo. Se os pais admitirem seus erros ou fracassos, a criança aprenderá, logo, que nem mesmo eles são perfeitos. Pequenas atitudes como pedir “desculpa” e não praguejar na frente deles podem ser significativas neste processo.
Para auxiliar a criança a criar bons sentimentos é importante elogiá-la e incentivá-la quando ela procurar fazer alguma coisa, como colocar suco no copo (ainda que derrame), vestir sozinha a roupa (mesmo do avesso), jogar objetos no lixo, guardar os brinquedos, ajudar na arrumação dos seus livros etc. Solicite a ajuda da criança, compartilhe pequenos afazeres e elogie sempre que ela acertar. Ensine tanto quanto for necessário, com muita paciência e tolerância. Incentive-a quando ela sentir que não tem condições de realizar algo ou mesmo estiver com medo de fracassar. Talvez ela só precise ouvir de você: “Claro que você pode. Vamos, vou te ajudar”. Agindo dessa maneira, ela perceberá que tem direito de se sentir importante, de aprender e que sua família a ama, a apóia e a respeita.
Um aspecto muito importante neste processo está em adequar as tarefas que cabem a cada idade, permitindo à criança a chance de tentar e errar. Lembre-se de estabelecer metas realistas e adequadas à idade de seu filho. Permita que ele se desenvolva sem superprotegê-lo ou pressioná-lo e, muito menos, compará-lo a outras crianças – o erro mais freqüente que se comete contra os filhos. Dessa maneira, a criança terá a oportunidade de formar um conceito positivo sobre si mesma.
A criança com autoestima adequada terá mais facilidade em fazer amigos, ter senso de humor, participar de atividades em grupos e uma maior socialização. Também saberá lidar melhor com os erros e, ao mesmo tempo, tenderá a ser mais feliz, confiante e afetiva. Os pais devem demonstrar coerência entre o que sentem e fazem com o que ensinam ao filho. Exemplo – este é o segredo para um bom começo de vida.
Katia Horpaczky é psicóloga clínica e organizacional, psicoterapeuta sexual, de família e de casal. Ela também é especialista em workshops vivenciais e jogos organizacionais, arte-terapeuta e Practitioner em PNL.
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