Tomar decisões quando se está cansado ou nervoso não é a melhor coisa. Com raiva, então, nem pensar. Pare e reflita: uma mente tranquila sempre encontra soluções bem mais eficazes
Texto • Renata de Salvi e Renata Rossi

“A palavra proferida e a pedra atirada não têm volta” são sábias palavras de um ditado popular. Pudera, afinal, quando agimos sem pensar, muitas vezes ofendemos ou magoamos pessoas das quais gostamos (e das quais não gostamos também, o que nem por isso á algo positivo). Depois, fica difícil desfazer a má impressão. Estas são as características principais dos impulsivos: reagir sob a tensão do momento, de maneira irrefletida e também se excitar ou se enraivecer facilmente.
Controlar a impulsividade é essencial para as relações interpessoais, seja na vida profissional ou na pessoal. “Temos de contar até três, deixar a emoção do momento passar e só depois agir”, explica Wagner Dias, especialista em inteligência emocional.
Wagner conta que, em uma das empresas para a qual presta serviço, é comum o uso de memorandos. Os funcionários acabavam utilizando essa ferramenta de comunicação para extrapolar sentimentos e pontos de vistas com os quais não concordavam. “Eles estavam usando o papel para expor as diferenças, o que alimentava cada vez mais a discordância”, explica.
A solução proposta pelo palestrante foi controlar a impulsividade. Como? Eles poderiam escrever o que bem quisessem no memorando, contanto que deixassem para encaminhá-lo ao remetente no dia seguinte. O resultado é que horas depois, o que estava escrito ali não fazia mais sentido. “Muitos funcionários falaram que os comentários se referiam ao momento de raiva, que depois refletiam e viam que aquelas palavras não eram necessárias”, afirma.
Que atire a primeira pedra quem nunca falou sem pensar, ainda que tenha dito algo aparentemente irrelevante. Mas o que parece tolice para você pode ter muito significado para os outros. E aí está o problema: as pessoas ficarão chateadas, magoadas e até ofendidas com as palavras que saíram sem querer. Nesses casos, a melhor aliada é a humildade. “Seja humilde para pedir desculpas. Comece a prestar atenção no que fala e na reação de quem o ouve”, alerta Dias.
Troque a velha frase “não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje” por “se há a possibilidade de se arrepender amanhã, não faça hoje”. Esse é o conselho do especialista. Na prática, significa que as decisões tomadas quando se está cansado ou nervoso nem sempre são as melhores ou mais eficazes. Quando estamos sob pressão, o organismo aumenta a produção de cortisol, o hormônio do estresse, que desencadeia reações de combate ou fuga, naturais para nossa proteção, mas não para decidir situações importantes.