Assim como aprender uma língua estrangeira ou tocar um instrumento, desenvolver a intuição exige tempo e dedicação, mas está ao alcance de todos. Veja agora como fortalecer a sua
Texto • Lívia Filadelfo
Imagine a situação: você compra um armário novo e tem de perfurar a parede para pendurá-lo. Arma-se com a furadeira, olha a parede e tem a nítida sensação de que no local em que pretende fazer o tal furo existe uma tubulação de água. Então, você consulta a planta da casa e verifica que não há indicação de canos no local.
Confiante, perfura a parede e, imediatamente, começa a escorrer água. Apesar de corriqueira e sem grandes consequências, trata-se de um exemplo claro, e verídico, de como a intuição funciona. O episódio aconteceu com o professor do Departamento de Engenharia Mecânica da Escola Politécnica (Poli), da USP, Marcelo Massarani. “Não há comprovação científica, mas eu explicaria a intuição assim: os cinco sentidos ‘gravam’ tudo o que experimentamos durante a vida e, na hora de tomarmos uma decisão, grave ou cotidiana, o inconsciente avalia todas essas informações armazenadas e nos indica o que fazer”.
Professor da disciplina Técnicas de Criatividade, do curso de MBA em Gestão e Engenharia de Produtos da Poli, Massarani costuma pedir aos seus alunos que visitem uma feira de produtos ou serviços que nada tenha a ver com a área de atuação profissional ou hobby de cada um. “É um ótimo exercício para estimular a criatividade e desenvolver a intuição. Quanto mais enriquecemos a vida com experiências novas, mais ‘dados’ acumulamos no que poderíamos chamar de ‘memória inconsciente’”.
Um dos caminhos é ser eclético de vez em quando. Outra dica do professor é sempre que possível ler uma revista ou livro de algum assunto ainda desconhecido. Sair da rotina também ajuda a melhorar o potencial intuitivo. Vale fazer um trajeto novo para o trabalho, trocar a rádio que costuma ouvir no carro, mudar o jeito de se vestir. Não é necessário revolucionar a rotina, basta descobrir formas diferentes de fazer as mesmas coisas.
Conhecida como sexto sentido, a intuição não tem nada de sobrenatural e também não é uma habilidade exclusivamente feminina. “Ela é comumente associada às mulheres, porque está ligada à sensibilidade. Mas pode ser desenvolvida por qualquer pessoa. É como aprender a falar alguma língua estrangeira ou tocar um instrumento, demanda tempo e dedicação”, afirma a psicóloga Virgínia Marchini.
Virgínia, que ministra o curso de Desenvolvimento do Potencial Intuitivo, alerta que é preciso saber diferenciar a intuição dos sentimentos de medo e desejo. “A intuição está diretamente relacionada ao autoconhecimento. Às vezes, ter um pressentimento de que algo ruim vai acontecer com alguém próximo, não passa de insegurança e medo de que uma pessoa querida sofra”.
A capacidade intuitiva foi explicada por Carl Gustav Jung como uma função da psique de desvendar possibilidades, relacionando dois hemisférios do cérebro: o esquerdo, racional e dos dados concretos como números, palavras e regras, e o direito, responsável pela linguagem não-verbal, dos símbolos, imagens e sensações. O resultado da comunicação entre um e outro é a intuição.