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As mentirinhas que a gente conta

Publicado por Redação em 12/07/2010 às 13h17

Quem disse que nunca mentiu, está mentindo. Então, antes de julgar precipitadamente, é preciso perceber o sutil limite entre mentiras que valem a pena e as que só atrapalham sua vida. Confira, a seguir, como diferenciá-las

Texto • Otávio Nagoya


 

Falar a verdade ou não? Esse é um grande dilema que enfrentamos muitas vezes na vida. A mentira, por sua natureza, é uma atitude condenável, mas existem alguns momentos em que ela se torna válida, às vezes até necessária. Com certeza, você consegue se lembrar de uma “mentira válida”, não é mesmo? Esquivar-se de um passeio, negar um convite, elogiar um trabalho, aumentar uma história, inventar qualidades que você não tem – são inúmeros os momentos em que utilizamos argumentos falsos, para não falar uma verdade mais dura, como “você é um chato”, “que gosto terrível”, “não foi bem assim que aconteceu”, “eu sou preguiçoso mesmo” etc.

Como se vê, a verdade, tão valorizada na teoria, nem sempre é usada na prática. A sinceridade, exposta de maneira errada pode ser dolorosa, inadequada e constrangedora. Por isso é preciso saber quando é hora certa de contar uma leve mentira ou derrubar a pessoa com uma verdade. Vale ressaltar que a sinceridade é uma virtude insuperável, quando bem utilizada. O importante é usar a cabeça na hora de dizer uma verdade desagradável.
 

Socialmente aceitáveis

As mentiras sociais são aquelas que se justificam em determinadas situações. Por definição, elas são inofensivas e utilizadas para poupar os sentimentos dos outros. Mas usar desse argumento para levar vantagem, sem pensar nas consequências, é uma atitude no mínimo mesquinha.

Um cuidado necessário ao se utilizar das mentiras sociais é sempre ser honesto consigo mesmo. Há pessoas que, de tanto mentir, passam a acreditar em suas próprias inverdades. Segundo a psicóloga Adriana de Araújo, a mentira é normal para crianças de até cinco anos, depois disso, o frequente uso destas táticas se torna um problema, tanto que algumas vezes pode evoluir para uma doença que requer de tratamento e toda uma assistência psicológica.

Para a psicóloga, a pessoa, ao se enganar, nega a realidade e tira conclusões falsas dos fatos, por isso “não vive a vida como ela é”. “A mentira não é uma causa, é uma conseqüência de insatisfações” afirma. Sobre as mentiras sociais, Adriana acredita que é melhor amenizar a verdade, ou seja, contá-la de uma maneira satisfatória, preocupando-se com os sentimentos alheios.

Denise Gimenez Ramos, coordenadora de pós-graduação em Psicologia Clínica da PUC-SP, fala que a mentira deve ser usada somente em último caso. Por exemplo, em um jantar que foi péssimo, Denise ensina que o melhor a fazer é elogiar somente o que agradou na refeição, desse modo, fica subentendido que o que não foi elogiado não agradou. Essa atitude é importante para que a pessoa que cozinhou a refeição tente melhorar nas próximas vezes. Já quando o assunto é pessoal e você não quiser expor sua privacidade, o correto é dizer “não quero responder”, mas em situações que não podem ficar sem resposta, uma mentirinha social é aceitável. Afinal, como bem disse Mário Quintana, às vezes “a mentira é uma verdade que se esqueceu de acontecer”.



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