Papais e mamães, fiquem atentos: uma boa educação pode não ser tudo. Especialistas dizem que o exemplo de comportamento dos pais é tão importante na formação emocional de uma criança quanto os estímulos específicos que ela recebe
Texto • Thiago Perin

Até algum tempo atrás, o famoso QI era considerado o indicador mais importante quando o assunto era o desenvolvimento e a aprendizagem das crianças. Mas isso está mudando. Cada vez mais, os psicólogos e educadores têm apontado a importância da inteligência emocional na formação dos pequenos para que estes não desenvolvam aspectos de personalidade negativos, como violência, timidez excessiva e baixa autoestima.
Do mesmo modo, muitos pais não percebem que a maneira como demonstram suas próprias emoções tem efeitos grandiosos sobre os filhos, ensinando a eles conceitos duradouros – mesmo que inconscientes – sobre como se comportar. Tudo a partir das referências paterna e materna. “Pais descontrolados têm filhos descontrolados”, diz a psicóloga paulista Ana Paula de Freitas. Por isso, dar um bom exemplo é o primeiro passo.
Uma pesquisa da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, chefiada pela antropóloga Carole Hooven e pelo psicólogo John Gottman, autor do livro Inteligência emocional e a arte de educar nossos filhos (Editora Objetiva), observou o modo como alguns casais selecionados interagiam com suas crianças, espontaneamente, no ambiente familiar. E os resultados mostraram que os pais mais bem resolvidos emocionalmente e que mantinham uma relação conjugal saudável eram também mais eficazes ao lidar com os altos e baixos emocionais dos pequenos, ao contrário dos que viviam um matrimônio conturbado e estavam constantemente tensos.
Estes últimos transmitiam uma sensação de insegurança e instabilidade, que acabava traduzida em um baixo quociente de inteligência emocional nos filhos.