Muitas vezes, deixamos passar oportunidades de demonstrar inteligência social por pura falta de atenção. Acompanhe agora importantes lições do psicólogo e escritor Daniel Goleman, que propõem reflexões sobre nossos sentimentos e atitudes
Texto • Redação

Eu devia ter só um ou dois anos na época, mas a lembrança continua viva em minha memória. Ao caminhar por um dos corredores do supermercado de minha cidade, ao lado de minha mãe, uma senhora me viu – uma graça de menino – e me dirigiu um sorrido afetuoso.
Meus lábios – ainda me lembro – me surpreenderam ao se movimentarem involuntariamente e sorrir de volta. Senti como se, de alguma forma, meu rosto fosse uma espécie de marionete, cujos músculos eram puxados por fios misteriosos que manipulavam os músculos ao redor de minha boca e inflavam minhas bochechas. Senti que o sorriso era indesejado – não vinha de dentro de mim, mas sim de fora.
Sem dúvida, essa reação indesejada sinalizava a atividade que conhecemos como “neurônios-espelho” em meu cérebro de menino. Os neurônios-espelho fazem exatamente o que o nome diz: refletem uma ação que observamos em outra pessoa, levando-nos a imitar essa ação ou ter o impulso de fazê-lo. Tais neurônios oferecem ao cérebro um mecanismo que explica o velho ditado: “Quando você sorri, o mundo inteiro sorri junto com você”.
Nossos neurônios-espelho se ativam quando observamos outra pessoa, por exemplo, coçar a cabeça ou enxugar uma lágrima, para que uma parte do padrão dos disparos neurais em nosso cérebro imite os dela. Isso mapeia informações idênticas às que estamos vendo em nossos neurônios mentais, deixando-nos participar das ações da outra pessoa, como se estivéssemos executando essa ação.