Quando nos apaixonamos, esperamos, consciente ou inconscientemente, que a pessoa amada seja perfeita: companheira, amiga, caridosa com nossos filhos e a amante ideal. Os relacionamentos entram em crise quando nos deparamos com a realidade de que o outro é um simples mortal e não a projeção de nossas fantasias. (...)
Essa é a hora de usar a “teoria da orelha rasgada”, um ótimo antídoto para expectativas exageradas. Essa teoria recomenda que você aceite que a pessoa amada não é perfeita e que a ame mesmo assim. Escolhi esse nome em homenagem a meu gato, Max. Quando jovem, ele era um belo gato tigrado com olhos maravilhosos. (...) Certo dia, na adolescência, Max se meteu em uma briga de rua e voltou para casa com a orelha toda ensanguentada e rasgada até a base. A ferida se curou com o tempo, mas o rasgão ficou para sempre. A questão era se eu ainda seria capaz de amá-lo agora que ele obviamente tinha um defeito. A resposta era, e ainda é, sim.
A verdade é que todos nós somos como Max – todos nós fomos feridos, temos orelhas rasgadas, cicatrizes em nossas almas (e às vezes em nossos corpos) onde os estragos da vida deixaram sua marca: auto-estima em farrapos, complexo por alguma imperfeição física, medo de não sermos amados, vergonha de alguma derrota, a sensação de que, apesar de nossos esforços, não chegaremos a lugar nenhum na vida. São essas coisas que nos levam a agir de modo nem sempre perfeito. (...)
Lembrar que ninguém é perfeito o ajudará a aceitar a pessoa amada com suas imperfeições, alimentará sua paciência e o fará compreender que você não é o único a sofrer. Em um nível mais profundo, o estimulará a conhecer as feridas do outro e descobrir como cuidar dele com carinho. Ter consciência de que todos nós temos orelhas rasgadas fará você se sentir menos só, pois o fato de a pessoa amada também ter feridas, significa que você não sofre sozinho – e isso os une ainda mais.
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