Para explicar tintim por tintim sobre ele, reunimos dez perguntas e consultamos experts no assunto. Se você ainda não decidiu se vai ou não se render, essa é sua chance
Texto • Fabiana Oliveira
Quase 20 anos se passaram desde que o Botox aterrissou em solo brasileiro. É hora de fazer um novo balanço: avaliar o quanto o tratamento evoluiu, se é mesmo seguro, saber mais sobre sua aplicação para fins terapêuticos e tirar, de uma vez por todas, as dúvidas sobre seu uso em procedimentos estéticos. É isso o que a gente traz pra você.
Por que as rugas aparecem?"As rugas se formam devido a vários fatores. O principal é a diminuição de fibras de colágeno na derme, assim como a de ácido hialurônico e glicosaminoglicanos”, explica a dermatologista Dra. Angela Billota, do Rio de Janeiro. Essas substâncias de nomes esquisitos estão presentes na derme e sustentam a epiderme, camada mais externa da pele. A partir dos 20 anos, começa a haver uma diminuição dessas substâncias, a camada superior da pele perde sustentação e se formam sulcos e rugas. “Esses fatores tornam mais fácil o surgimento de linhas de expressão, linhas do travesseiro e linhas pelo efeito da gravidade. As linhas de expressão são geralmente bilaterais, podendo, no entanto, ser mais proeminentes do lado em que a contração muscular é mais vigorosa. Já as marcas de travesseiro são unilaterais”, complementa a médica. “Além destas razões, há também a questão da contratura do músculos que deixa a aparência de 'sobra' na pele”, diz o Dr. Sérgio Antônio Zilio, cirurgião-plástico e médico da Estética Onodera.
“Botox é o nome comercial da Toxina Botulímica, toxina que é produzida por uma bactéria e que paralisa a musculatura onde é aplicada. Assim, não há contração da musculatura e, consequentemente, não há formação de rugas”, esclarece o Dr. Sérgio.
Quando as rugas e linhas de expressão começam a incomodar. Ou seja, não há uma regra. Ele pode ser aplicado no momento em que a pessoa desejar. É bom lembrar somente que seu efeito final é percebido depois de duas semanas. Por isso, nada de marcar a aplicação para o dia da sua festa tão esperada.
Geralmente não. Apenas em alguns pontos elas podem ser um pouco incômodas, mas pacientes mais sensíveis podem usar pomada anestésica tópica.
“Nas linhas da testa, glabela (área entre as sobrancelhas), pés-de-galinha, linhas do pescoço, base do nariz (para arrebitar a extremidade). Já a aplicação na boca requer muito cuidado porque pode ocorrer desvio labial”, diz a Dra. Angela.
A toxina atua apenas na musculatura, por isso não causa qualquer alteração de sensibilidade. Quanto a possíveis deformações, é sempre bom lembrar que o tratamento requer habilidade e, por isso, deve ser feito somente por médicos confiáveis. “Se for usado de maneira incorreta, pode propiciar expressões bizarras”, afirma o Dr. Sérgio. Saiba também que, após a aplicação, deve-se ficar quatro horas sem abaixar a cabeça ou massagear o local.
Em média, 6 meses.

Antes e depois da aplicação
“Sua aplicação deve respeitar algumas técnicas e o médico deve conhecer bem a anatomia da área tratada. É importante avaliar a força do grupamento muscular antes de realizar a aplicação para se ter a ideia de quantas unidades devem ser aplicadas para paralisar esse músculo. A dose utilizada é bastante segura. Para fins estéticos são usadas geralmente de 15 a 50 unidades, enquanto que na neurologia se usam doses com 1.200 unidades da toxina. A dose letal equivale a cerca de 40 unidades por quilo”, explica a Dra. Angela.
O Botox deve ser evitado em gestantes e lactentes, portadores de doença neuromuscular, pessoas com alergias aos componentes da fórmula, com infecções no local da aplicação, com distúrbios de sangramento ou que estejam fazendo uso de antibióticos aminoglicosídios.
O Botox pode ser usado para tratamento de hiperidrose (casos de transpiração excessiva nas axilas, mãos ou pés), estrabismo, derrame cerebral (AVC), traumatismo craniano, distonia cervical, blefaroespasmo (distúrbio em que as pálpebras se fecham involuntariamente).
“A toxina teve seu primeiro relato em uso estético em 1991. Desde então, se desenvolveram técnicas que trazem segurança ao médico para melhor utilizá-la. A cada dia são estudados novos pontos de aplicação e pela impossibilidade de ocorrerem efeitos tóxicos com as doses que são preconizadas para fins terapêuticos, eu dirira que é um tratamento extremamente seguro”, avalia a Dra. Angela. Já o Dr. Sérgio completa: “Seguro e com alto índice de satisfação das pacientes.”
A primeira indicação surgiu na década de 70, quando, ao buscar uma cura para o estrabismo, o ofmatologista Alan B. Scott descobriu que a toxina botulímica, quando injetada, paralisava os músculos. Iniciaram-se, então, uma série de pesquisas na área terapêutica. Hoje, o uso terapêutico do Botox é aprovado em cerca de 70 países para uma ampla variedade de condições. Em 1989, seu uso para tratamento de estrabismo e blefaroespasmo foi aprovado nos Estados Unidos e, em dezembro de 2000, para tratamento de posição anormal da cabeça e dor no pescoço associados a distonia cervical (distúrbio de movimento caracterizado por contrações musculares involuntárias). Nos últimos anos, a toxina vem sendo usada para tratar hiperidrose (suor excessivo das mãos, pés e axilas), sequelas motoras desencadeadas por derrame cerebral e paralisia cerebral. Também existem experiências relatadas em trabalhos científicos comprovando que o Botox pode ser aplicado no tratamento de outras patologias, como cefaléias, enxaquecas, hipersalivação, dores crônicas, bruxismo (ranger de dentes durante o sono) e esclerose múltipla. Ufa! Não é para menos, que a toxina faz tanto sucesso.
Em todas as indicações terapêuticas, o Botox é aplicado diretamente no músculo comprometido, impedindo a liberação de acetilcolina (neurotransmissor químico responsável pela contração muscular). As doenças para as quais o Botox é indicado caracterizam-se por contrações involuntárias nos músculos (espasticidade). Este problema dificulta a realização de atividades simples do dia a dia e a aplicação de Botox é uma forma de reduzi-lo.
Aplicação de Botox para fim terapêutico
Michelina tem 27 anos e é professora. Aos 14 anos, foi vítima de derrame cerebral. A patologia se manifestou em etapas. Na primeira semana, a boca entortou. Na segunda, a mão esquerda fechou, e, na terceira, o pé também foi afetado. “Chorava muito. Foi a fase em que eu era o patinho feio. Minha vida estava limitada e sem perspectivas”, conta Michelina. Desde então, vários médicos foram consultados. Aos 20 anos, Michelina começou o tratamento na AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente), onde aplicou o Botox pela primeira vez. “Depois de três dias, minha mão abriu. Já apliquei a toxina quatro vezes e, hoje, sou uma mulher normal. Posso realizar minhas atividades diárias, como subir e descer escadas, com tranquilidade”.
Tenho distonia cervical no pescoço à aproximadamente 4 anos, porem gosto de praticar MUSCULAÇÃO, isso pode me prejudicar mais?
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