Milenar no Oriente, o uso estético da acupuntura é visto por aqui como novidade. Alternativa natural e eficiente, a técnica cada vez mais cai no gosto da brasileira, que comemora seus efeitos rápidos no combate às rugas, flacidez, gordurinhas e celulite
Texto • Paula Bianca Oliveira
Pode acreditar: famosa por seus benefícios na redução de estresse, dores crônicas e distúrbios respiratórios – e até reconhecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como especialidade médica –, a acupuntura também pode fazer muito pela sua beleza.
Faz alguns anos que a técnica passou a ser utilizada no Ocidente para fins estéticos – embora no Oriente ela já seja utilizada com essa finalidade há mais de 5 mil.
De acordo com a tradição chinesa, a beleza é o bem-estar interior que se reflete no aspecto externo. “A cor da pele, a tez do rosto, o brilho dos cabelos, tudo isso reflete a harmonia interna do organismo”, afirma Jou Eel Jia, ortopedista e acupunturista chinês naturalizado brasileiro. “As alterações estéticas só acontecem quando a pessoa já tem uma predisposição à desarmonia”, afirma.
Seja um problema de excesso de peso ou de manchas na pele, para os acupunturistas o distúrbio está sempre na energia geral do organismo. “Na medicina ocidental, obesidade é um diagnóstico. Para a chinesa, é um sintoma”, explica o médico. “Não adianta você botar uns pontinhos na orelha para diminuir o apetite. No dia em que tirar essas agulhas, o apetite voltará duplicado”, ensina o especialista.
Antes de receber as agulhadas, a candidata ao tratamento estético passa por uma consulta na qual são diagnosticados seu histórico de saúde e seu perfil energético. “É necessário saber desde coisas simples, como que tipo de comida prefere, até questões mais sérias, como os tipos de doença que já teve”, diz a dermatologista e acupunturista Maria Assunta Nakano, responsável pelo Ambulatório de Acupuntura Estética da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Características que normalmente não são consideradas por aqui – como a predileção por frio ou calor, o medo do vento ou do mar e o gosto por alimentos gelados ou quentes – são levadas em conta, pois denunciam a condição energética de cada um. É dessa forma que são descobertos os pontos a serem trabalhados para que o equilíbrio de todos os órgãos seja atingido.
“O corpo humano é considerado como um todo, assim como sua interação com o ambiente e a sua relação com as outras pessoas”, explica Maria. Ou seja, para a medicina oriental, por mais que o ser humano queira sentir-se à parte do todo que o cerca, ele é receptivo e participa ativamente de uma energia global, agindo sobre ela e sofrendo os seus efeitos.