Uma explosão de alegria, uma onda de prazer, um estado pleno de satisfação... Desvende as diversas formas de felicidade e os inúmeros caminhos que levam a ela. E encontre a sua
Texto • Carine Portela
No sorriso de um bebê, em um picolé de limão, em uma mala cheia de dinheiro, em um beijo apaixonado, no abraço de um amigo, em um presente surpresa, no sol batendo no rosto... A felicidade pode estar escondida em muitos lugares. Você já parou para pensar por onde anda a sua?
Para os monges budistas, ela não pode ser encontrada senão dentro de nós mesmos. "Simples" assim. De acordo com os filósofos modernos, é sinônimo de “estar em paz consigo mesmo”, “fazer o que se gosta” e “ter coragem de sonhar alto”. Já para um controverso economista americano, é ganhar 20 mil dólares por ano – nem mais nem menos.
Pesquisadores britânicos vão ainda mais longe e anunciam ter encontrado a fórmula matemática da felicidade: P+5E+3A. Segundo eles, o estado emocional de qualquer pessoa pode ser resumido a essa equação, em que P corresponde a pessoal (características como modo de encarar a vida, capacidade de adaptação e flexibilidade), E à existência (saúde, amor, amizade e estabilidade financeira) e A à autoestima (incluindo aqui expectativas, ambições, engajamento e equilíbrio emocional).
Seguindo a mesma linha de raciocínio, o psicólogo americano Martin Seligman, da Universidade da Pensilvânia, concluiu que a felicidade está na soma de três importantes fatores: prazer, engajamento e significado. Mas há quem não concorde. Para Robert Wright, escritor e psicólogo americano, a felicidade não passa de um truque. Sim, um truque da natureza para garantir a sobrevivência da espécie humana.
A explicação é a seguinte: quando fazemos algo que aumenta nossas chances de sobreviver ou de procriar, nos sentimos tão bem que queremos repetir a experiência muitas e muitas vezes. E é exatamente essa repetição que aumenta as chances de transmitirmos nossos genes. “As leis que governam a felicidade não foram desenhadas para nosso bem-estar psicológico, mas para aumentar as chances de sobrevivência de nossos genes a longo prazo”, garante Wright. Para completar, o escritor alfineta: “felicidade é projetada para evaporar”.
Mas, afinal, esse estado que perseguimos durante toda a vida existe mesmo ou não passa de uma ilusão? Precisa ser alcançado ou é uma questão de sorte? Está relacionado a grandes ambições ou às coisas simples da vida? Tem mais a ver com o ato de dar ou de receber?
A verdade é que a felicidade é uma experiência muito particular, que se apresenta das mais diferentes maneiras para cada um de nós. O importante é não enxergar sua conquista como uma obrigação e acabar fazendo dela uma fonte de ansiedade. A felicidade não é um fim em si, e sim consequência da vida que levamos. Quem procura receitas e respostas complicadas para ela – como os cientistas malucos que acabamos de citar – corre o risco de perder de vista os prazeres e as alegrias que tornam a nossa vida tantas vezes doce.