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Música para curar a depressão

Publicado por Redação em 29/10/2010 às 15h57

Para recuperar o brilho nos olhos, que tal deixar os ouvidos bem abertos? Seja utilizando a voz, seja por meio de instrumentos, descubra por que a musicoterapia é uma importante ferramenta contra a depressão

Texto • Sandra Cruz
 

Algumas pessoas estão nos tamborins, outras preferem os pandeiros, um violão e até chocalhos. Não, não se trata de uma banda de carnaval, mas de um grupo formado por pacientes e familiares envolvidos em uma sessão de musicoterapia.

No Hospital Israelita Albert Einstein, importante centro médico de São Paulo, o setor dedicado à terapia musical tem grande destaque. Pacientes com problemas neurológicos, com câncer, submetidos à diálise e, principalmente, aqueles que passam por trabalho de reabilitação, recebem tratamento ali. Em comum, carregam o fato de suportarem o peso de serem vítimas de doenças graves e, em decorrência disso, sofrerem de depressão.

“As sessões de musicoterapia são um dos poucos momentos em que os pacientes e seus familiares esquecem a doença e têm uma relação de troca, o que alivia as tensões e estimula a expressão dos sentimentos”, diz a musicoterapeuta Cristiane Ferraz, doutorada pela Universidade de Nova York, que atua no Serviço de Terapia da Dor e Cuidados Paliativos e Oncologia do hospital paulistano.

Uma das formas de estimular a participação dos doentes é começando a sessão com o convite para que os participantes expressem, em palavras, o que estão sentindo naquele momento. “A idéia é criar um ambiente positivo”, diz Cristiane. Basta, então, uma pessoa começar a falar, para as outras seguirem o exemplo. A partir dali, emoções diversas vêm à tona.
 

A caminho da recuperação

Para ser um especialista da área, não é preciso ter conhecimento musical. Necessário mesmo é fazer um curso para aprender a explorar o processo de comunicação, desenvolvido por diversas experiências musicais, como a composição, a improvisação e a musicoterapia receptiva.  Na composição, que trabalha o potencial criativo, tanto a música como a letra refletem o estado de espírito e os sentimentos do “compositor”, no caso o paciente.

Ana Paula Cascarani, profissional que participou do projeto Arteterapia do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, atualmente professora do curso de musicoterapia da Universidade FMU, conta que, muitas vezes, inicia a sessão cantarolando frases simples, como “hoje eu me sinto...”. A brincadeira instiga os pacientes a completarem a sentença. “Depressivos em início de tratamento respondem coisas do tipo ‘triste, pois o sol nasce cinza’”, afirma a especialista. Quando isso acontece, a musicoterapeuta, em vez de tentar animá-los, dá seqüência ao processo, acompanhando o ritmo determinado pelos participantes. “Eu ajudo o paciente a escrever a letra, construo os acordes com ele e a gente canta a música. Forçar a criação de uma canção alegre não funcionaria, pois não é o que ele está sentindo”.

Além disso, segundo Cristiane, não existe necessariamente música triste ou alegre, existem pessoas e interpretações. “A música que é alegre para você pode não ser tão agradável assim para mim, e vice-versa”. Muitas vezes, quando a música proposta por ele fica pronta, o próprio paciente se surpreende ao perceber que a obra não é assim tão triste. Aí é que entra o trabalho de conscientização, de descoberta, desenvolvido pelo musicoterapeuta. “Eu busco sempre estimular a parte sadia da pessoa, fazer com que reencontre o que tem de bom dentro dela”, ressalta a profissional.
 

Em números

A depressão atinge mais de 120 milhões de pessoas em todo o mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), menos de 25% dos deprimidos recebem algum tipo de tratamento.

 



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