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Música para relaxar e curar

Publicado por Redação em 19/07/2010 às 17h10

Ao transformar a maneira com que lidamos com as emoções, a música ameniza as chamadas doenças psicossomáticas e funciona como um poderoso instrumento de equilíbrio na recuperação da saúde. Saiba mais sobre esse belo efeito

Texto • Erica Franquilino

Quando ouve “Meu querido, meu velho, meu amigo”, de Roberto Carlos, Dona Jane lembra do convívio com o pai e das festas em família, em Bauru, interior de São Paulo. As boas lembranças fazem com que o corpo da senhora de 64 anos relaxe, como se remetido a outros tempos, longe das dores causadas pela fibromialgia. Dona Jane não sabe bem o que é musicoterapia, mas admite que a sensação despertada pela canção é reconfortante: mesmo sem se dar conta, ela aproveita um dos muitos benefícios psicológicos e fisiológicos da música sobre a saúde humana.

Nas últimas décadas, centros de pesquisas de todo o mundo se dedicaram a estudar o fenômeno e, hoje, podem afirmar com base em dados científicos que a música realmente pode ser uma grande aliada no tratamento dos mais diversos tipos de doenças, principalmente as psicossomáticas.

Essas doenças são aquelas motivadas por um distúrbio emocional ou um problema psíquico que acaba se convertendo em um comprometimento orgânico. O doente psicossomático sente os sintomas da alteração orgânica, que foi desencadeada, determinada ou agravada por razões emocionais. Asma, fibromialgia, hipertensão e dores crônicas são algumas das disfunções mais comuns.

O terreno da formação dessas doenças é complexo. “Normalmente a pessoa nasce com uma predisposição para doenças desse tipo, que podem ser desenvolvidas ou não, dependendo do histórico dessa pessoa”, diz a musicoterapeuta Inês Campos, especializada em pedagogia curativa. “Quando uma doença psicossomática não é identificada na infância, surge normalmente na puberdade, fruto de um trauma ou alguma questão emocional que não foi bem resolvida”, aponta a terapeuta. Aprisionar sentimentos também pode ocasionar doenças, como ensina a sabedoria popular. Inês corrobora a afirmação e lembra que as emoções “existem para serem trabalhadas”.
 

Identidade musical

Coordenadora dos cursos de graduação, pós-graduação e da clínica de musicoterapia da UniFMU (Faculdades Metropolitanas Unidas, em São Paulo), a musicoterapeuta Maristela Smith afirma que a música é capaz de atuar de forma intensa na atividade cerebral: com seu efeito, são enriquecidos neurotransmissores como a serotonina, que está associada ao estado afetivo das pessoas. O paciente mergulha num processo de autoconhecimento por meio da música, “facilitando a resolução dos problemas”, explica a professora.

Existem duas formas de abordagem musicoterapêutica: a interativa e a receptiva. Na interativa são utilizados instrumentos, corpo, voz e objetos sonoros. O profissional faz uso desses recursos para interagir com o paciente, que também “toca” os instrumentos. Já a abordagem receptiva se faz necessária em situações nas quais não há uma resposta ativa do paciente – que pode estar em coma, por exemplo – ou quando há uma limitação grave de movimentos. Nesse caso, é formulado um CD, criado especialmente para o doente.

Antes de dar início ao tratamento, são analisadas a história e as características sonoras, rítmicas, musicais e corporais de cada paciente. Em linhas gerais, os musicoterapeutas se valem de ferramentas como entrevistas e a textificação musical: a análise das reações dos pacientes a determinados sons. Concluído o levantamento, elabora-se um plano de ação musico-terápico. 

Esse histórico é essencial para traçar a identidade sonoro-musical do paciente, que não é constituída apenas de músicas. “Faz diferença se uma pessoa cresceu ouvindo gritos ou num ambiente mais tranqüilo”, lembra o professor Raul Jaime Brabo, responsável pelo laboratório de musicoterapia da UniFMU.

Paralelamente, o profissional estuda a patologia em questão e entra em contato com os outros profissionais que cuidam do paciente, como fonoaudiólogos, fisioterapeutas e psicólogos. “A musicoterapia não atua sozinha, mas sempre em equipe”, afirma Maristela.



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Luis Carlos de Souza comentou às 20h30 em 14/08/2012 responder denunciar

Gostaria de saber mais sobre este tipo de tratamento, pode ser usado para diabetes

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