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Orson Welles, o prodígio da 7ª arte

Publicado por Redação em 26/08/2010 às 14h17

Ele revolucionou as técnicas de filmagem, abusou da criatividade na edição, escreveu, atuou, produziu e dirigiu. Até hoje, é referência absoluta quando o assunto é cinema. Conheça a trajetória de um dos cineastas mais cultuados de todos os tempos

Texto • Thiago Perin

Ele foi um dos mais brilhantes diretores que Hollywood já viu, mas seu reinado sobre o mundo da sétima arte foi bastante curto, tornando-o um clássico exemplo de gênio que atinge o ápice criativo bem cedo, para depois perder a coroa com um estrondo. Estamos falando de Orson Welles, que já nasceu prodígio, no ano de 1915, em uma pequena cidade dos Estados Unidos. Filho de artistas, ele foi introduzido ainda muito jovem no universo da música, da pintura e da literatura – principalmente nessa última, tornando-se um fã devoto de Shakespeare.

Welles estudou em colégios particulares e conheceu o mundo, mas não teve uma infância fácil: antes de alcançar a adolescência, já tinha perdido ambos os pais. Isso lhe deu, no entanto, total liberdade para escolher a carreira que bem entendesse (situação facilitada pela herança que recebeu). Foi assim que um jovem rapaz de profundos olhos castanhos aterrissou nos palcos americanos. Durante os anos 30, ele e seus companheiros incendiaram o teatro de Nova Iorque, com produções de grande sucesso. A paixão pela arte dramática e pela comunicação acabou levando-o, depois, para o rádio, onde, na companhia do ator e produtor John Houseman, fez transmissões lendárias para a CBS.

Seu nome ganhou cada vez mais destaque no show business americano, e não demorou para que as grandes produtoras de Hollywood se rendessem também ao talento do jovem. Em 1940, Orson Welles firmou uma parceria com o estúdio RKO, onde iniciou seu curto reinado sobre o meio cinematográfico. Em uma negociação sem precedentes, o diretor estreante ganhou total controle artístico sobre o que gravasse e uma verba bastante gorda para criar seu primeiro filme. Assumindo os papéis de diretor, produtor, coautor e estrela protagonista, utilizou técnicas surpreendentes de filmagem e deu vida a Cidadão Kane (Citizen Kane), de 1941, um dos longas mais inovadores de sua época. Apesar disso, o filme deixou a desejar nas bilheterias.
 

Ascensão e queda

O segundo filme produzido em parceria com a RKO, Soberba (The Magnificent Ambersons), teve grandes problemas de verba e produção. Com o diretor gastando muito além do que a produtora tinha a intenção de investir na obra, a antes invejável parceria logo se deteriorou. Para não correr o risco de perder dinheiro com um filme que considerava fora dos padrões hollywoodianos, a RKO tomou as rédeas e tratou de reeditá-lo completamente, sem o consentimento ou a participação de Welles. O resultado é considerado uma possível obra-prima repleta de falhas que diminuem seu valor, e a recepção do filme foi novamente bastante ruim.

Depois desse episódio, não demorou para que o diretor ganhasse fama de irresponsável e “difícil” entre a comunidade cinematográfica. Sua carreira nunca se recuperou totalmente, e, apesar de ter dirigido outros longas em Hollywood – como O Estranho (The Stranger), de 1946; e A Marca da Maldade (Touch of Evil), de 1958 –, ele nunca mais teve total controle sobre seus próprios filmes. Os produtores europeus, no entanto, foram mais receptivos, e com um pouco de trabalho e ajuda de alguns amigos dentro da indústria, Welles pôde criar obras como Othello, de 1952, Badaladas à Meia-Noite (Chimes at Midnight), de 1967, e O Processo (The Trial), de 1963.
 

Saída pela esquerda

Com uma vida amorosa tão movimentada quanto suas relações profissionais, Orson Welles teve três filhos e inúmeros relacionamentos, quase todos com belas atrizes de Hollywood. Nos anos 30, apaixonou-se perdidamente pela mexicana Dolores Del Rio, com quem viveu um tórrido romance até 1941. Na época, ele já tinha um filho, Christopher, com Virginia Nicholson. Pouco tempo depois, selou matrimônio com Rita Hayworth, uma das mais aclamadas e desejadas estrelas da época. A união rendeu a segunda filha, Rebecca, mas não durou muito. Em 1955, nasceu a terceira herdeira, Beatrice, com Paola Mori. Já nos últimos 20 anos de sua vida, Welles teve como companheira a atriz croata Oja Kodar.

Mesmo com a falta de reconhecimento do público, o artista manteve seu status de celebridade nos meados do século, sempre em evidência. Depois que descobriu, nos anos 40, que poderia ganhar dinheiro como ator em filmes de outros diretores, foi a faceta dramática que o ajudou a financiar suas próprias obras ao longo dos anos. Essa dinâmica lhe rendeu aparições em longas como O Terceiro Homem (The Third Man), de 1949, e Moby Dick, de 1956, além de vários outros. Ele também fez aparições na TV, narrações e ocasionais propagandas até o ataque cardíaco que lhe tirou a vida, em 1985. Apesar de nunca ter criado um grande sucesso comercial e de ter sofrido críticas ferinas a quase todos os seus filmes (que só depois foram revelando sua extrema relevância artística), Welles continua sendo um dos mais conhecidos, discutidos e importantes diretores da história do cinema.
 

Obra completa

Depois de Cidadão Kane, de 1941, sua obra mais famosa, Orson Welles completou mais dez longa-metragens para o cinema, que também são boas pedidas para qualquer amante dos bons filmes. São eles:

Soberba (The Magnificent Ambersons), de 1942; O Estranho (The Stranger), de 1946; A Dama de Shangai (The Lady from Shangai) e Macbeth, de 1948; Othello, de 1952; Mr. Arkadin, de 1955; A Marca da Maldade (Touch of Evil), de 1958; O Processo (The Trial), de 1963; Badaladas à Meia-Noite (Chimes at Midnight), de 1967; e o documentário Verdades e Mentiras (F for Fake), de 1974.

Ele também deixou várias obras incompletas, abandonadas em meio às filmagens ou interrompidas por falta de verba para finalização. Mesmo assim, partes de algumas delas (mais notoriamente sua adaptação do clássico Don Quixote, único dos filmes perdidos disponível no Brasil, em DVD) chegaram ao público após passarem por edições póstumas ou extra-oficialmente. Veja a lista completa:

Too Much Johnson, de 1938; It’s All True, de 1942; Vienna, de 1968; Don Quixote, de 1969; The Deep, de 1970; The Other Side of the Wind, de 1976; e The Dreamers, de 1982.

A filmografia de Orson Welles inclui, ainda, o curta-metragem Hearts of Age, de 1934, além de filmagens menores e pilotos de seriados para a TV.

 

 
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