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Por que existe tanto mal no mundo?

Publicado por Redação em 06/12/2010 às 13h42

Coisas ruins acontecem o tempo todo, e, muitas vezes, a seres que consideramos totalmente inocentes. Será que isso pode nos dizer alguma coisa a respeito da existência ou inexistência de Deus? O trecho do livro "Guia ilustrado Zahar de filosofia" que reproduzimos aqui joga uma certa luz sobre essa questão

Texto • Redação

Deus é tipicamente descrito como perfeitamente bom, onipotente e onisciente. Se isso for verdade, podemos supor que Ele não só quer eliminar o mal, como é capaz disso e sabe como fazê-lo. Mas isso suscita a pergunta: então, por que o mal existe? Seria por que Deus não existe?

Para que a existência do mal seja logicamente incompatível com a de Deus, devemos supor que, sendo bom, Deus tem o desejo de eliminar todo o mal. Mas essa suposição não é verdadeira se algum mal for, de fato, necessário para um bem maior. Por exemplo, se não sentíssemos dor, nunca poderíamos aprender a suportá-la; e talvez perder o que amamos seja o preço inevitável a pagar para poder conhecer o amor. Nas palavras do poeta inglês Alfred Tennyson, “é melhor ter amado e perdido do que nunca ter amado”.

Assim, não saberíamos apreciar o que é bom, e não o desejaríamos como desejamos, se não pudéssemos compará-lo com o mal. Consequentemente, Deus não deseja a eliminação de todo o mal. Entretanto, mesmo aceitando isso, parece incontestável que Deus desejaria eliminar todo o mal desnecessário, o que leva a uma segunda versão do argumento.
 

Exame das evidências

O problema das evidências do mal afirma que a quantidade de mal e sua distribuição no mundo são incompatíveis com a existência de Deus. Em outras palavras, o modo como o mal existe no mundo seria uma boa evidência de que Deus não existe.

É claro que o mal não está igualmente distribuído entre todos. Alguns sofrem mais que outros, e os inocentes podem sofrer horrivelmente. Por exemplo, crianças podem morrer de doenças terríveis, e animais podem sofrer em inundações e secas. Isso parece ser exatamente o que um Deus onipotente, onisciente e bom desejaria erradicar. Assim, mesmo que o mal seja necessário para um bem maior, seria tanto mal necessário?

Alguns creem que o mal é necessário para o crescimento moral e espiritual, e que um mundo com esse crescimento é melhor que um mundo sem ele. Virtudes são impossíveis a menos que haja mal a que reagir e corrigir. Não podemos ser corajosos, por exemplo, se não houver perigo real a encarar, nem bondosos se as pessoas não tiverem necessidades.

Mas a necessidade de se tornar bom justifica o mal? Deus não poderia simplesmente nos criar virtuosos? O filósofo americano John Hick responde que quem se torna bom mediante a confrontação com o mal “é bom num sentido mais rico e valioso” do que alguém criado bom. Em suma, sem dor não há aperfeiçoamento. Essa teodiceia (uma argumentação que tenta justificar o mal, tornando-o compatível com a existência de Deus) só funciona caso todo o mal leve ao crescimento espiritual, o que não parece ocorrer.

Muitos sofrem de uma maneira que destrói seus espíritos, como crianças que nunca se recuperam de abusos. Outros sofrem no fim de suas vidas, quando lhes resta pouco tempo para se desenvolver, e alguns crescem espiritualmente, mas não sofrem muito. Há ainda os que morrem jovens, sem oportunidade de crescimento espiritual.

Uma resposta é que seu sofrimento também nos ajuda. O filósofo inglês Richard Swinburne afirma que, se o mal fosse previsível, correspondendo exatamente à necessidade de crescimento, duas importantes virtudes nunca poderiam florescer: a fé e a esperança. Elas requerem um grau considerável de imprevisibilidade, pois, se o padrão de mal parecesse racional, não precisaríamos delas.
 

Debate sem futuro

Religiosos podem responder que não podemos ter certeza de que não há uma boa razão capaz de justificar a quantidade e a distribuição do mal no mundo. Pode ser que o mal sirva a um propósito mais elevado, sem que saibamos qual é ele e como o mal o serve. Mas que bases temos para pensar isto?

É provável que haja esse propósito mais elevado? Se não, essa resposta assemelha-se ao ceticismo, defendendo seu caso com base na alegação de que não podemos ter certeza. Tal apelo à ignorância requer um bom motivo. Um apelo, por exemplo, a uma revelação de Deus de que tudo é para o melhor não será aceitável. Se é improvável que Deus exista, é improvável que a revelação seja genuína, e não saberemos se é provável que Deus exista ou não até termos resolvido o problema do mal.
 

O livre-arbítrio explica o mal?

Deus nos deus o livre-arbítrio como algo muito bom. Sendo moralmente imperfeitos, porém, nem sempre o usamos para o bem, e por vezes geramos o mal. Mas ainda é melhor ter livre-arbítrio e causar o mal devido a decisões erradas que não o ter.

A opção de Adão e Eva por desobedecer a Deus levou à “queda”, uma mudança metafísica que alterou a natureza e os homens para sempre. As consequências da queda são “a inimizade entre os homens e os animais, as dores do parto e as agruras que devemos suportar para sobreviver” (Gênesis 3:15-19). Todo o mal, seja natural ou moral, foi assim causado pelo livre-arbítrio humano.

Como a ciência nos informa que os animais já sofriam muito antes de o homem existir, nosso livre-arbítrio não pode ser literalmente a causa do mal natural. Mesmo que fosse, pareceria excessivamente injusto. Por que animais e crianças deveriam sofrer por causa de uma escolha feita por duas pessoas, há muito tempo?

O livre-arbítrio pode ser um grande bem, mas isso não significa que jamais devamos interferir nele. Não apelamos para o valor do livre-arbítrio de um assassino para justificar nada fazer para detê-lo. Por que, então, Deus o faria? O que alguns respondem é que Deus teria de intervir tantas vezes que isso solaparia a própria essência de nosso livre-arbítrio.


 

GUIA ILUSTRADO ZAHAR DE FILOSOFIA
Stephen Law
Editora Zahar
www.zahar.com.br

 

 
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