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Entrevista (imaginária) com filósofos

Publicado por Redação em 10/11/2010 às 13h49

Que tal convidar Sócrates, Descartes, Hume e Nietzsche para tomar um café e trocar umas ideias sobre filosofia? Parece absurdo? De fato, é. Mas nada que um pouquinho de imaginação não resolva. Vá em frente!

Texto • Mariana Borrasca / Ilustrações • Marília Rizzo
 


 

Sócrates, Descartes, Hume e Nietzsche: esses grandes filósofos registraram seus pensamentos em diferentes épocas da história da humanidade (alguns, com milênios de diferença), o que impossibilitou que se encontrassem para discutir sobre suas conclusões particulares. Mas o quão interessante seria esse encontro?

No bate-papo imaginário que registramos aqui, os quatro pensadores compareceram para discutir assuntos comuns a todos nós. Concordando em alguns pontos e divergindo bravamente em outros, esses ilustres convidados apagaram a linha do tempo e explicaram seus pontos de vista sobre algumas questões essenciais da existência humana, como o equilíbrio entre razão e emoção, o amor, Deus e até a própria filosofia. Aproveite, pois este é um momento histórico!

 

Na opinião de vocês, o que caracteriza um bom filósofo?

Sócrates (ao lado) A alma do bom pensador deve admirar o que é verdadeiro e divino, seguindo o caminho da razão e tranquilizando suas paixões.

Hume – Eu já acho que deva haver um equilíbrio entre as paixões e a razão. Creio que é mais propício, ao homem, um estilo misto de vida, sem o exagero. Devemos ser filósofos sem, contudo, esquecermos de que somos seres humanos, entende? Acredito que o verdadeiro pensador é aquele que aprende a controlar suas vontades, suas paixões, e, usando a razão, sabe dar um valor justo aos seus objetos de desejo.

Descartes – Uma das máximas que guiaram meus estudos foi procurar vencer a mim mesmo e modificar minhas vontades. Além disso, também era uma de minhas regras acostumar-me a acreditar que, de tudo o que existe, só temos pleno poder sobre nossos pensamentos.

 

E por que filosofar?

Sócrates – A melhor coisa para o homem é examinar-se a si mesmo e aos outros, pensando, cotidianamente, nas virtudes e em outros tópicos que envolvem a vida. O objetivo dos filósofos é encontrar a verdade.

Nietzsche – Mas não existem verdades absolutas, do mesmo modo que não existem fatos eternos.

Descartes – Tem certeza? Falando sobre este assunto, nos meus estudos, me deparei com a seguinte verdade: eu penso, logo existo, e, por ela ser tão sólida, a considerei como o primeiro princípio de filosofia que buscava.

Hume – De qualquer forma, bom mesmo seria se desse para unir as diversas correntes filosóficas. Assim, reconciliaríamos a objetividade com a investigação profunda e a originalidade com a verdade.

Nietzsche (ao lado) Eu ainda acho que boa parte dos filósofos, tirando alguns céticos, não tem muita idéia do que seja retidão intelectual, e fazem coisas um tanto absurdas, como utilizar sentimentos como argumentação e usar a convicção como critério para distinguir o verdadeiro do falso.

 

O que seria, então, um sábio? O que fazer para se tornar um?

Sócrates – Uma das maneiras de se ser sábio é ter consciência da própria ignorância.

Nietzsche – Você deve descobrir quem você é e, de vez em quando, se perder e se procurar de novo. É necessário se afastar, em alguns momentos, daquilo que se conhece, para, então, ter a dimensão certa das coisas.

Hume – É preciso se manter numa busca constante. Afinal, assim como o solo fértil, que fica cheio de ervas daninhas quando não recebe o devido cuidado, o gênio mais competente também não conquista muita coisa quando se dedica à preguiça.

Sócrates – Bom seria se o conhecimento tendesse a ir do cheio de sabedoria ao mais vazio por meio do simples contato físico entre dois seres, não acham?

 

Vocês acreditam que a razão é melhor do que a emoção para um filósofo? É possível viver só com razão?

Nietzsche – Não é possível, não. O ilógico está na linguagem e nas paixões, entre outras tantas coisas que dão valor à vida. Ele é necessário. Mas é preciso ter em mente que grandes intelectuais sempre são descrentes. O ceticismo é essencial quando se quer estudar assuntos referentes ao valor das coisas.

Descartes – Se fosse possível usar completamente a razão desde o nascimento, sendo sempre ela o nosso guia, nossos juízos seriam mais puros e mais firmes.

Hume (ao lado) Não acredito que tenhamos como modificar nossos sentimentos e paixões. Escrevi, uma vez, que só teria esperanças nesse sentido quando conseguisse parar o sangue que corre em minhas veias só com a força da minha vontade.

 

Alguns de vocês acreditam que as emoções são sensações de nossa alma. Como vocês analisam a relação entre corpo e espírito?

Descartes – Nossa alma é independente do corpo e nos faz ser o que somos. Existem motivos que nos levam a crer que ela seja imortal.

Hume – É o espírito o que nos diferencia dos animais, aproximando os homens dos seres superiores. Sabe-se que o poder do espírito sobre o corpo e sobre si mesmo é limitado.

Descartes – Com relação ao corpo, temos conhecimento de sua aparência e movimento. Já com relação à alma, sabemos apenas a respeito de nossos pensamentos. No entanto, sobre os dois em conjunto, só se sabe que são unidos.

Nietzsche – Eu considero que esse tal espírito nada mais é do que um experimento, um certo defeito do organismo, que consome força nervosa sem necessidade.


Qual o pensamento de vocês a respeito de Deus?

Descartes (ao lado) Deus é o ser perfeito em tudo aquilo que podemos imaginar, a origem de tudo o que existe nos homens. E é por isso que podemos considerar nossos pensamentos como sendo verdadeiros, porque eles se originam desse ser perfeito.

Nietzsche – Declarei-me inimigo de Deus, esse ser supremo cristão. Tudo o que foi aclamado como sendo Deus, para mim, não é divino, e sim um grande erro. Não aceito o Deus cristão como Deus.

Sócrates – Bom, eu não sou um ateu por completo, acredito na existência de deuses.

Hume – Essa noção de um Deus perfeito nasceu da reflexão sobre nós mesmos, sobre nosso espírito. Aumentando indefinidamente a nossa bondade e sabedoria, chegamos a Ele. A existência, no universo, de um ser ordenador, superior a nós e extremamente sábio, capaz de organizar os elementos conflitantes é, na minha opinião, indubitável. Agora, até onde vai sua ação eu não sei dizer. Alguns filósofos, como Descartes, aqui presente, elaboraram teorias para tentar explicar a existência e a ação desse Ser, mas elas não me convencem. Apesar de lógicas, tais teorias nos fazem chegar a conclusões muito extraordinárias e distantes de nós.

 

Para encerrar este encontro, como vocês definiriam o amor?

Descartes – Na minha visão, essa paixão é gerada pela movimentação de alguns espíritos internos, que faz com que a alma se una, de modo espontâneo, àquilo que lhe parece ser útil.

Sócrates – O amor se situa entre o mortal e o imortal, entre o feio e o belo e entre o bem e o mal.

Nietzsche – Quando ama, o ser humano sucumbe à força da ilusão, enxergando as coisas de uma maneira quase oposta à qual elas se apresentam na realidade. No amor, tudo é tolerado.
 

 
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