Será que a vida imita a arte ou a arte imita a vida? Essa resposta a gente não têm, mas resolvemos analisar três filmes bem conhecidos sob um ponto de vista filosófico e não há dúvida que eles inspiram (e muito!) a reflexão
Texto • Thiago Perin

Qual é o sentido da vida? Há algum tipo de existência após a morte? Essas são duas das mais clássicas perguntas da filosofia, consideradas por muita gente tão irrespondíveis que chegam até mesmo a ser motivo de piada. Sem qualquer veia cômica, 21 gramas representa essas interrogações nas histórias de três pessoas cujas fortes conexões – um laço de casamento, um órgão doado, um acidente fatal – os forçam a questionar todos os conceitos relativos à existência humana.
Cristina (Naomi Watts) é uma mãe de família com histórico de álcool e entorpecentes; Paul (Sean Penn) é um professor infeliz e à beira da morte, que aguarda um transplante cardíaco; Jack (Benicio Del Toro) é um ex-presidiário perturbado que muda completamente os rumos das vidas dos três quando, em um acidente de carro, mata os filhos e o marido de Cristina. A tragédia dá a Paul o novo coração que ele tanto precisava e cria laços entre os personagens, que passam então a questionar a linha tênue entre vida e morte.
Com base em uma premissa quase metafísica – a de que, supostamente, todos perdemos exatos 21 gramas de massa corporal quando morremos –, as turbulências da trama obrigam os personagens a duvidarem do que já sabem, enveredando pelo caminho do pensar mais aprofundado. Será que a vida pode ser reduzida a uma medida métrica? Existe um plano divino, diferente deste em que vivemos? Há um legado duradouro para nossas ações em vida? Até que ponto somos capazes de influenciar o mundo e nossos semelhantes? Quanto se perde e quanto se ganha na morte?
Essa é a essência da filosofia: o questionamento. Dando vasão à primeira dúvida, por mais simples que essa seja, é quase inevitável mergulhar em um mar de muitas outras perguntas que precisam de resposta – não necessariamente em circunstâncias tão dramáticas quanto às vividas por Paul, Cristina e Jack, é claro. Como registrou Aristóteles, “todo homem, por natureza, deseja saber”. Agora, se no fim do filme os protagonistas alcançam ou não às respostas que tanto procuraram, cabe a você dizer.