Em pleno regime ditatorial, o país se uniu aos Aliados para combater as ditaduras europeias na Segunda Guerra, instalando bases militares no Nordeste e enviando cerca de 25 mil soldados da FEB para o campo de batalha
Texto • Daniel John Furuno

Além de Estados Unidos e Canadá, o Brasil foi o único país das Américas a entrar na Segunda Guerra Mundial, mesmo sem dispor de um histórico de participação em conflitos militares internacionais. O que causou surpresa para muitos, no entanto, foi o lado escolhido: o dos Aliados. Afinal de contas, o país vivia, assim como Alemanha e Itália, em pleno regime ditatorial, sob o governo de Getúlio Vargas. Inclusive, muitos membros do governo nutriam profunda simpatia pela política de extrema direita adotada por Hitler e Mussolini – basta lembrar que a própria justificativa para a instauração do Estado Novo foi a descoberta de planos para um suposto levante comunista no Brasil. Fora isso, a Alemanha era, na época, um de nossos principais parceiros comerciais.
A partir de 1941, depois que declararam guerra ao Eixo, os EUA ficaram ainda mais preocupados com a possibilidade de o conflito chegar ao continente americano. Nesse contexto, o Brasil tinha grande destaque, dada sua extensão territorial e a importância estratégica do Nordeste do país na rota para o Norte da África, uma das principais frentes de combate. “Os EUA saem então da política imperialista do Big Stick e passam a adotar a política da boa vizinhança. Começam a incentivar um intercâmbio cultural, que resulta na vinda de Orson Welles ao Brasil e na ida de Carmen Miranda aos EUA, bem como a oferecer benefícios econômicos, como os empréstimos para a construção da Companhia Siderúrgica Nacional, no Rio de Janeiro”, afirma Tania Regina de Luca, professora do Departamento de História da UNESP de Assis.