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Che Guevara sob investigação

Publicado por Redação em 29/11/2010 às 17h03

Ele era um sujeito frio e impiedoso. O corpo encontrado em Vallegrande, em 1997, não era dele. Saiba mais sobre essas e outras polêmicas (e mistérios!) que envolvem o nome de Che

Texto • Daniel John Furuno
 

Enquanto muitos consideram Che Guevara um herói, um símbolo da luta contra a opressão, um mártir ou até mesmo um santo, há aqueles cuja opinião caminha na via oposta. O jornalista norte-americano Jon Lee Anderson, em diversas passagens de seu livro Che Guevara – Uma biografia (Objetiva, 1997), apontado como o mais completo relato biográfico do guerrilheiro argentino, destaca o caráter frio e impiedoso de sua personalidade.

Segundo Anderson, Che odiava covardes e desertores, mais que os próprios inimigos. O jornalista afirma que ele teria executado friamente um traidor durante a campanha em Sierra Maestra e, depois do término da Revolução Cubana, teria conduzido um implacável tribunal para crimes de guerra, responsável pelo fuzilamento de centenas de pessoas.

Para o historiador Luis Bernardo Pericás, autor do livro Che Guevara e a luta revolucionária na Bolívia (Xamã, 1997), apontar Guevara como assassino ou herói é uma questão que passa pela subjetividade dos pontos de vista. “Entrevistei inúmeras pessoas em Cuba e na Bolívia, inclusive algumas que conviveram e lutaram com Che. Muitos episódios estão sujeitos a diferentes interpretações. Uma determinada atitude de Guevara pode ser considerada como grosseria ou arbitrariedade por alguns e, ao mesmo tempo, ser vista por outros como a reação que se esperaria de um sujeito exigente e disciplinador”, afirma Pericás.

“Não se trata de defender a violência. Mas, infelizmente, é difícil encontrar um processo de revolução que não seja sangrento. Excessos podem ser cometidos por ambos os lados em qualquer conflito – seja na luta pela independência na Índia ou nos movimentos pelos direitos civis nos Estados Unidos”, acrescenta o historiador. “Para entender quem foi Che Guevara, é preciso encarar todas as contradições que cercam sua trajetória e procurar compreender suas posições políticas e idéias econômicas, sem descontextualizar os fatos”, conclui Pericás.
 

A CIA lavou as mãos?

É notório que o governo dos EUA já vinha acompanhando os passos de Che desde a Revolução Cubana. Mas o livro Relatório da CIA – Che Guevara, do jornalista brasileiro Maurício Dias e do pesquisador italiano Mario J. Cereghino (Ediouro, 2007), vai além dos fatos divulgados e apresenta uma nova perspectiva do envolvimento norte-americano no processo de captura e execução de Che pelo exército boliviano, em 1967.

Por meio da compilação de material até então confidencial, a obra mostra como o interesse dos EUA pelo conflito entre as forças do presidente boliviano René Barrientos e os rebeldes do ELN (Exército de Libertação Nacional) foi crescendo à medida que os boatos sobre a presença de Che naquele país se tornaram mais intensos.

O governo norte-americano colaborou com o presidente Barrientos, fornecendo recursos e treinamento militar e, posteriormente, enviando equipes especiais – incluindo o agente da CIA Felix Rodríguez, que chegou de helicóptero a La Higuera pouco depois da prisão de Che, interrogou o prisioneiro e acompanhou sua execução.

A conclusão a que chegam os autores é de que “o exército boliviano ‘sujou as mãos’ e a CIA ‘lavou as mãos’”. Chama a atenção, nesse sentido, uma circular confidencial enviada pelo Departamento de Estado norte-americano que diz: “Todas as sedes diplomáticas norte-americanas deverão se abster de comentar ‘nossos méritos’ na derrota dos rebeldes. Isso daria aos comunistas a ‘prova’ de que Guevara foi vítima dos Boinas Verdes, dos instrutores norte-americanos e da CIA. A vitória sobre a guerrilha deveria ser considerada cem por cento boliviana”.

 

Che chegou à Bolívia no dia 3 de novembro de 1966. Menos de um ano depois, 20 quilos mais magro, foi capturado e morto a tiros. O que parecia o fim de uma história virou o estopim de muitas outras envolvendo seu cadáver

 

O corpo: uma farsa de Fidel?

Durante 30 anos, o destino dado ao corpo de Che permaneceu desconhecido. Segundo Jon Lee Anderson, as contradições nos depoimentos dos poucos oficiais bolivianos que poderiam revelar a verdade tornavam difícil saber de fato o que foi feito com o cadáver. A única pista era que os restos de Che poderiam estar em algum ponto perto de uma pista de pouso no vilarejo boliviano de Vallegrande.

Seguindo essas informações, em 1997, um grupo de pesquisadores cubanos, em missão ordenada por Fidel Castro, organizou uma busca em Vallegrande, até que finalmente o corpo do herói foi encontrado, juntamente com outros seis cadáveres. A identificação foi feita por meio do exame da arcada dentária e de mais dois fatos: o corpo tinha as mãos amputadas (os oficiais bolivianos haviam serrado as mãos de Che pouco depois de sua execução) e estava coberto por uma jaqueta idêntica à usada pelo guerrilheiro em vida. Os restos mortais foram, então, transportados para Cuba, onde, em Havana, foram depositados em um mausoléu.

Em fevereiro deste ano, no entanto, os jornalistas Bertrand de La Grange (do periódico francês Le Monde) e Maite Rico (do espanhol El País), publicaram na revista espanhola Letras Libres uma matéria polêmica, na qual afirmam que a descoberta do corpo de Che teria sido uma grande farsa orquestrada por Castro para desviar a atenção do povo cubano da situação de crise que o país atravessava na época.

A teoria é baseada em três indícios levantados pelos jornalistas: o corpo do herói teria sido enterrado sozinho, não com outros corpos; a jaqueta de Che teria sido roubada pelo médico que fez a autópsia em 1967; os pesquisadores cubanos teriam simplesmente ignorado a maneira mais simples e eficaz de identificar um corpo: o teste de DNA. Verdade ou não, o fato é que Fidel Castro, a única pessoa que poderia confirmar ou desmentir a teoria, certamente não irá se pronunciar.

 

As muitas vozes de Che

Confira algumas das mais célebres frases atribuídas ao líder revolucionário.

“Acima de tudo procurem sentir no mais profundo de vocês qualquer injustiça cometida contra qualquer pessoa em qualquer parte do mundo. É a mais bela qualidade de um Revolucionário.”

“Nossa luta é uma luta até a morte.”

“Nós, socialistas, somos mais livres porque somos mais completos; somos mais completos por sermos mais livres.”

 “Não há fronteiras nesta luta de morte, nem vamos permanecer indiferentes perante o que aconteça em qualquer parte do mundo. A vitória nossa ou a derrota de qualquer nação do mundo, é a derrota de todos.”

“Nossos filhos devem possuir as mesmas coisas que as outras crianças, mas eles devem também ser privados daquilo que falta às outras crianças”.

“Os poderosos podem matar uma, duas, até três rosas, mas nunca deterão a primavera.”

“No momento em que for necessário, estarei disposto a entregar a minha vida pela liberdade de qualquer um dos países da América Latina, sem pedir nada a ninguém...”

“Vale milhões de vezes mais a vida de um único ser humano do que todas as propriedades do homem mais rico da terra.”

“Ser jovem e não ser revolucionário é uma contradição genética.”

“Há que endurecer-se, mas sem perder a ternura jamais.”

“Muitos dirão que sou aventureiro, e sou mesmo, só que de um tipo diferente, daqueles que entregam a própria pele para demonstrar suas verdades.”

“Nós que, pelo império das circunstâncias, dirigimos a revolução, não somos donos da verdade, menos ainda de toda a sapiência do mundo. Temos que aprender todos os dias. O dia em que deixarmos de aprender, será o dia em que teremos deixado de ser revolucionários e, então, o melhor que vocês poderiam fazer seria jogar-nos fora.”

“Hasta la victoria, siempre!”

 

 
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Não interessa comentou às 01h27 em 08/04/2016 responder denunciar

Quanta farsa nesse texto

mbt shoes outlet 2011 comentou às 03h40 em 18/01/2014 responder denunciar

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