A quilômetros de distância da Europa e séculos depois da Idade Média, uma corporação brasileira preserva a tradição e a história da confecção das armaduras e armas medievais
Texto • Isis Gabriel / Fotos • Arquivo pessoal
Organizados em guildas (corporações de ofício), artesãos manuseiam forjas, bigornas, martelos e fabricam as armas e armaduras que serão utilizadas pelos cavaleiros designados pelo Papa para libertar a Terra Santa. Estamos na Europa Medieval, na época das Cruzadas e dos Templários. Agora, vamos dar um salto no tempo, coisa de uns 800 anos à frente. Organizados em uma guilda, artesãos manuseiam forjas, bigornas, martelos e fabricam as armas e armaduras – estamos em São Paulo, em pleno século 21.
Assim, com o objetivo de estudar e confeccionar peças bélicas medievais, um grupo de amigos paulistanos se reuniu e fundou há sete anos a Guilda dos Armoreiros. E apesar de este não ser o ganha-pão de nenhum dos integrantes – todos eles têm profissões paralelas – eles levam o trabalho da Guilda com extrema dedicação e paixão. O resultado são peças com uma fidelidade impressionante e que mais do que réplicas, trazem toda a riqueza da história medieval nelas. A seguir, você acompanha um bate-papo que tivemos com estes armoreiros modernos.
Nesta época, do século 12 ao 13, a armadura de malha de ferro (trama de pequenas argolas de metal entrelaçadas) estava no seu auge. Esta espécie de túnica de manga comprida e que chegava até o joelho era chamada hauberk. Além do hauberk, os cavaleiros usavam calças, luvas, coifa (capuz) e sapatos de mesmo material e um elmo de aço. Assim, o cavaleiro ficava literalmente envolvido dos pés à cabeça. Só o hauberk, pesava cerca de 13 kg, as calças de 5 a 6 kg, o elmo chegava a 2 kg, mais uma espada de cerca de 1,5 kg.
As armas e as armaduras têm uma evolução conjugada – uma tentando superar a outra sempre. Durante o período das cruzadas, as espadas estão no seu médio desenvolvimento, elas já são mais refinadas que as do período viking. Na época dos vikings, as espadas privilegiavam a lâmina, o corte e eram geralmente largas. Já no período das Cruzadas, elas estão mais pontiagudas, com uma empunhadura mais interessante para o cavaleiro. Depois das cruzadas, as espadas ficam mais afiladas nas pontas e ganham um poder de perfuração cada vez maior. Além das espadas, os cruzados tinham punhais, adagas, martelos, machados, entre outras armas inspiradas, principalmente, nas ferramentas agrícolas. Para atacar e invadir castelos eles utilizavam também todo um maquinário de guerra, como catapultas.
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Especificamente sobre a armadura de malha, à primeira olhada, a peça que fazemos é igual, mas a resistência dela é menor. Fazemos armaduras de malha que seguem exatamente os moldes medievais para testes de estudos acadêmicos, mas de modo geral, não há esta necessidade. Além de não termos o mesmo material, o processo medieval é pelo menos cinco vezes mais trabalhoso que o nosso. Mesmo assim, com certeza, os artesãos medievais faziam muito mais rápido que nós, que só nos dedicamos a este trabalho nas horas vagas. E também nossos cinco anos de experiência não se comparam a uma tradição medieval. Havia guildas especializadas apenas em arames, eles usavam a força da roda d’água que é muito melhor que qualquer motor elétrico... Temos a idéia errônea de pensar na Idade Média como atrasada tecnologicamente. Estudos mostram uma alta mecanização neste período – moinhos de vento, rodas d’água, são apenas alguns exemplos. O processo de fazer armaduras deles era muito mais rápido. Há relatos de pedidos de mil armaduras para serem feitas em seis meses, então, dá para ter uma noção.
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Acima, aço sendo trabalhado sobre bigorna e modelagem e polimento de metal; abaixo, manopla ampulheta do final do século 14 e confecção de greva (armadura que protege a canela), também do século 14
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Investimos em livros recentes e bem específicos que mostram iluminuras (desenhos e pinturas medievais), efígies (esculturas réplicas dos cavaleiros colocadas em cima de seus túmulos) e detalham batalhas medievais. Uma dessas publicações, por exemplo, mostra uma escavação arqueológica em um local em que aconteceu uma batalha e, a partir do estudo da ossada encontrada, você consegue analisar os ferimentos das flechas, saber o impacto de uma espada, e com isso ter mais detalhes das armas.
Fizemos algumas peças para o espetáculo Ricardo III do Jô Soares, participamos de exposições, congressos de estudos medievais, fazemos réplicas de aparelhos sob encomenda. Fizemos uma catapulta para Museu de Tecnologia que levou, mais ou menos, um ano e meio de pesquisa, seis meses de projeto e mais uns dois meses de construção. Muitas pessoas vêem nosso trabalho como uma brincadeira, acham que só nos preocupamos com o visual das peças, mas existe por trás um trabalho sério de pesquisa. Não queremos apenas que as peças pareçam armaduras medievais, temos interesse no processo como um todo – desde a fabricação, as ferramentas utilizadas, até a fase dos testes – para ser o mais fiel e chegar o mais próximo possível do medieval.
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Alguns dos integrantes da Guilda dos Armoreiros reunidos. Da esquerda para a direita: Sérgio Roma, Roberto Spinelli Filho, Rodrigo Biffi e Tarcísio Lakatos Polito
Site: www.armaduras.com.br
Parabéns pela qualidade do trabalho de vocês. Está realmente impressionante. Eu admiro muito a cultura medieval e achei excelente.
por favor vcs podem me ajudar estou fazendo um trabalho sobre armaduras medievais e não consigo acha as botas de ferro dos cavalheiros de guerras vcs podem me ajudar me enviando uma foto por emteio de uma armadura dessa,desde já eu agradeço por tudo,fique na paz de cristo.
por favor vcs podem me ajudar estou fazendo um trabalho sobre armaduras medievais e não consigo acha as botas de ferro dos cavalheiros de guerras vcs podem me ajudar me enviando uma foto por emteio de uma armadura dessa,desde já eu agradeço por tudo,fique na paz de cristo.
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