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Alemanha: de escombros a muros

Publicado por Redação em 12/11/2010 às 13h37

Da derrota em 1945, passando a divisão territorial até a queda do muro de Berlim em 1989 – um breve relato da trajetória alemã do pós-guerra até nossos dias

Texto • Daniel John Furuno
 

Terminada a Segunda Guerra Mundial, em 1945, era hora de a Alemanha contabilizar as perdas. Mas, como aponta o jornalista irlandês Cornelius Ryan, em seu livro A Última Batalha (2005, L&PM), é difícil precisar as baixas. Para se ter uma ideia, algumas estimativas mostram que pelo menos 100 mil civis alemães morreram durante um único confronto entre soviéticos e nazistas nas ruas de Berlim.

Outro pesquisador, o historiador alemão Jörg Friedrich, enumera, em O Incêndio (2006, Record): 500 mil vítimas civis em todo o país, mais de mil localidades bombardeadas por cerca de um milhão de toneladas de munição explosiva e cidades como Dresden, Hamburgo, Dortmund e muitas outras reduzidas a pó.

Mas as baixas não eram o bastante para punir a Alemanha: o país que pouco tempo antes dominava boa parte da Europa e punha em prática sua política anti-semita, teria ainda de amargar a humilhação de ser literalmente repartida entre seus inimigos. Os Aliados dividiram o território alemão em quatro zonas de ocupação, controladas por EUA, Grã-Bretanha, França e URSS. Pela importância simbólica, a cidade de Berlim, localizada dentro da zona soviética, foi igualmente dividida em quatro.

Os EUA tinham a preocupação inicial desmilitarizar e impor restrições econômicas à Alemanha, como forma de impedir uma nova guerra. Mas logo, outra questão se tornou mais importante. “Apesar da demonstração de poder dos americanos com o bombardeio atômico ao Japão, com o final da Guerra, em termos geopolíticos, a URSS estava em vantagem, dominando boa parte da Europa. Era preciso deter o avanço soviético”, aponta Tania Regina de Luca, professora do Departamento de História da UNESP de Assis.

Assim, entrou em cena o Plano Marshall (o nome refere-se ao Secretário de Estado norte-americano, George Marshall), cujo objetivo era recuperar a Europa economicamente através de pesados investimentos financeiros e, ao mesmo tempo, garantir a influência dos EUA sobre o bloco dos países capitalistas, em oposição ao bloco socialista liderado pela URSS. Era o começo da Guerra Fria.

A Alemanha tornou-se a síntese desse antagonismo: em 1949, as zonas americana, britânica e francesa fundiram-se na República Federal da Alemanha (RFA), enquanto que, na zona soviética, estabeleceu-se a República Democrática Alemã (RDA). O mesmo aconteceu com Berlim, dividida em dois lados, o Ocidental capitalista e o Oriental socialista.

E graças aos investimentos do Plano Marshall, a RFA conheceu uma rápida recuperação econômica, o que desencadeou um forte movimento migratório da Berlim Oriental para a Ocidental. Assim, para deter a migração da população da RDA, a solução encontrada pelos soviéticos foi a progressiva instalação de barreiras nas fronteiras, que culminou na construção, em 1961, da Muralha de Proteção Antifascista – mais conhecida como muro de Berlim.
 

Um muro, duas cidades


À esquerda, detalhe da construção do muro em 1961. Em seguida, trecho que mostra a parede ocidental deste mesmo muro colorido por grafites
 

Quem viveu em Berlim antes da queda do muro sabe que ele não marcava apenas a divisão física entre os lados Ocidental e Oriental da cidade. Representava também o abismo cultural e econômico entre a República Federal da Alemanha (RFA) e a República Democrática Alemã (RDA).

Graças a uma bolsa oferecida por uma fundação alemã, o jornalista e escritor brasileiro Ignácio de Loyola Brandão morou em Berlim Ocidental durante um ano e meio, entre 1982 e 83. Suas impressões do período estão retratadas no livro O Verde Violentou o Muro (1984, Global). Na obra, entre outros aspectos, o autor enumera os detalhes singulares da Guerra Fria: “Os guias e mapas impressos em Berlim Oeste incluem as ruas do Leste. Já do outro lado, Berlim termina no muro. Depois dele, o que se vê nos folhetos e planos é uma mancha amarela, nada mais”.

A respeito das plataformas de observação que existiam do lado ocidental do muro, ele escreve, com o típico senso de humor brasileiro: “As pessoas podem subir para contemplar o lado de lá. O outro lado, como dizem, um tanto pejorativamente (...). A sensação que tenho nestes mirantes é de estar no zoológico, a admirar pandas. Sinto falta de outra tabuleta, nesta cidade onde existem tantas: Proibido alimentar os comunistas”.

Mas o “zoológico” poucos anos depois seria extinto. Com o enfraquecimento do regime socialista a partir dos anos 80, o início do movimento de abertura política promovido pela URSS e o crescente descontentamento popular na RDA culminaram com a queda do muro de Berlim, em 9 de novembro de 1989. A reunificação da Alemanha foi oficializada quase um ano depois, em 3 de outubro de 1990.

Foi o início do fim da chamada “cortina de ferro” e da Guerra Fria, mas não dos problemas. “No começo, foi uma festa. Mas logo foram percebidas as enormes diferenças econômicas e culturais entre Alemanha Ocidental e Oriental, diferenças que persistem até hoje”, destaca a professora Tania Regina.

A questão está longe de uma solução. Nesse sentido, torna-se significativo o papel de Angela Merkel como atual Chanceler alemã. Tendo assumido em 2005, Merkel não é somente a primeira mulher a liderar a Alemanha, mas é também a primeira cidadã da antiga RDA a ocupar o cargo. Então, apesar de as barreiras ainda não terem sido totalmente quebradas, aos poucos, pedaços de muros estão sendo desfeitos e novos horizontes começam a ser vislumbrados.
 

 
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oakley ?????? comentou às 01h08 em 14/03/2013 responder denunciar

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