Esteve lá o tempo todo, na atenção dispensada a cada movimento. Monja Coen ressalta que “o oryoki é uma prática meditativa na medida em que eu estou comendo com plena atenção. Estou em silêncio, sentindo a fragrância e o sabor dos alimentos. Percebi a rede de interdependência de todas as formas de vida”.
Todos os procedimentos são realizados com as duas mãos. Não se pega uma tigelinha com uma das mãos, enquanto a outra manuseia os hashis, por exemplo. O foco tem de estar totalmente voltado para o que se está fazendo, o que naturalmente demanda maior atenção. “Isso tudo é treino de meditação”, diz a monja.
Por mais complexa que possa parecer, a prática do oryoki traz um benefício simples e imediato: o reencontro com a paz no momento da refeição. A ideia é deixar tudo o que não for inerente à alimentação – do corpo e da mente – bem longe da mesa.
Em casa, usando garfo e faca, você pode adotar um chazinho ao final da refeição e usar pedacinhos de pão – não apenas para purificar o paladar, mas também para, assim como o chá, “limpar” o prato depois de comer, sem deixar vestígios de comida. “O que ensinamos às pessoas é perceber como é precioso o sabor do alimento, não desperdiçar sequer a fragrância que ficou no seu prato”, aconselha a Monja Coen.
Num restaurante, por exemplo, você não precisa fazer uma prece muito longa, mas olhe para o seu alimento e agradeça. “Em 20 minutos, num restaurante por quilo, você pode comer com saúde e tranqüilidade”, ela diz. Vale lembrar que essa tranqüilidade não combina com o velho hábito de levar os problemas à mesa, quando a intenção era apenas reunir a família para um jantar. Não é preciso permanecer em silêncio, claro. Mas por que não conversar sobre o aqui e agora? Sobre o sabor do alimento, os sons ao redor, as impressões daquele momento... O importante é ouvir mais e falar menos, prestando atenção aos detalhes, ao que se está comendo, ao valor do silêncio, fazendo as pazes com o corpo e a mente.