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O que torna um vinho 'premium'

Publicado por Redação em 21/10/2010 às 19h06

Técnicas que melhoram a qualidade do produto, safras excepcionais, cuidados incontáveis durante o armazenamento da bebida... Conheça os inúmeros fatores que podem fazer um vinho custar uma verdadeira fortuna

Texto • Daniel John Furuno
 


 

Para um leigo, é inconcebível pensar que existem vinhos que custam alguns milhares de dólares. Mas quem conhece todo o processo de produção dessa nobre bebida sabe que existem inúmeros fatores que podem elevar o preço de uma garrafa às alturas. “Para começar, há o rendimento da safra. Uma safra de pequena colheita já dá início a uma produção quantitativa menor, o que tornará o vinho produzido mais caro”, afirma Gianni Tartari, sommelier da Enoteca Fasano. Vale lembrar que, muitas vezes, a redução da safra é proposital. Há métodos de produção que incluem a redução da quantidade dos frutos: “um deles é a famosa ‘poda em verde’, na qual alguns cachos de uvas são cortados da vinha ainda verde para dar mais concentração aos cachos restantes”, explica Gianni.

Existem, ainda, outros fatores que podem encarecer o produto, como o uso de tecnologias de última geração ou a produção artesanal – embora opostas, essas ditas situações podem dar origem a vinhos “top”. Isso sem falar na tradição da vinícula, no histórico do produtor e no terroir – o conjunto de atributos do local em que estão as parreiras, como características do solo, microclima, insolação e topografia –, variáveis que contam muito na hora da avaliação de cada safra.

A qualidade da safra – fator ligado às condições de clima e solo e à quantidade e estado das uvas – também é determinante na questão do preço. “Um exemplo é a sensacional safra de 1982 em Bordeaux (França), cujos exemplares são bem difíceis de encontrar no mercado. Há também a safra de 1968, que não foi lá grande coisa nas principais regiões, mas que em Ribera del Duero (Espanha) resultou numa jóia rara: o famoso, raro e espetacular Vega Sicília Único”, aponta o sommelier.

 

A garrafa mais cara

Dizem que, em 1985, durante um leilão na Christie’s, em Londres, o milionário norte-americano Malcolm Forbes arrematou uma garrafa de Château Latife 1787 por nada menos que US$ 156.450. O escritor Júlio Anselmo de Sousa Neto transcreve o relato em seu livro O Vinho no Gerúndio (Gutenberg). Segundo ele, o fato foi testemunhado por Marvin Shanken, proprietário das revistas Wine Spectator e Cigar Aficionado, que também participou do leilão e tentou levar a garrafa, mas teria se arrependido de fazer, no calor da empolgação, um lance muito superior ao limite que havia inicialmente planejado.

“Aparentemente, a historia é real”, afirma Gianni Tartari. “A garrafa em questão é um tinto de Bordeaux, de Pauillac, que pertencia a Thomas Jefferson, terceiro presidente dos EUA. Suas iniciais estavam gravadas na garrafa! Bons motivos para tal preço”, avalia o sommelier.

Mas a história não tem um final feliz: segundo o autor, com a garrafa exposta por Forbes como um troféu (e acondicionada de maneira inadequada), a rolha teria se deteriorado e arruinado o vinho.

 

O papel do marketing

Há quem diga que, além das características de um vinho, às vezes o marketing pode ser um dos motivos para a elevação do preço de um produto. Polêmico, o escritor Júlio Anselmo de Sousa Neto questiona, em seu livro O Vinho no Gerúndio, alguns procedimentos da indústria: “É compreensível que alguns vinhos sejam hipervalorizados por sua altíssima qualidade aliada à sua história, tradição e/ou singularidade. No entanto, há vinhos que mal são lançados no mercado e já se tornam absurdamente caros devido, única e tão somente, aos elogios de gurus especialistas, ao marketing bem elaborado e à ganância de produtores e/ou comerciantes”.

O autor vai mais além e cita um depoimento de Christian Moueix, proprietário do famoso Château Pétrus: “Eu gostaria que meu vinho não fosse um artigo de investidores. Deveria ser desfrutado por aqueles que amam o vinho. Eu não sou um gênio do marketing e não lucro muito com meus vinhos. O preço mais alto por que os vendo no atacado (no lançamento da safra) é US$ 50 por garrafa”. O escritor tira suas próprias conclusões: “O que Moueix deixou nas entrelinhas é que o preço exorbitante de seu vinho se deve aos intermediários.”

 

Três pérolas

O sommelier Gianni Tartari aponta três dos mais caros vinhos do mundo:

• Château Pétrus: “Sempre aparece nas relações de vinhos mais caros do planeta; a rara safra de 1962 pode atingir US$ 32.000 a garrafa.”

• Romanée-Conti: “Mais um vinho que sempre figura nas listas; a mítica safra de 1985 atinge preços de US$ 15.000 a garrafa.”

• Château d’Yquem: “Degustada em 1998, a safra de 1811 custava mais de US$ 98.000 a garrafa!”

 

 
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