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Os segredos da oratória de Obama

Publicado por Redação em 23/07/2010 às 20h11

Eles também tiveram voz ativa

Ao longo de sua história, os Estados Unidos já foram governados por outros líderes que também se revelaram oradores brilhantes, assim como Barack Obama. Houve também, é claro, governantes pouco habilidosos na arte da comunicação, como George W. Bush, que acaba de deixar a Casa Branca com um altíssimo índice de impopularidade decorrente de suas atitudes polêmicas, jetio canastrão e, também, ao tom impessoal de seu discurso. Confira, a seguir, alguns nomes que, com declarações memoráveis, movimentaram multidões e fizeram brilhar os olhos de milhões de americanos e de cidadãos de todo o globo.
 

ABRAHAM LINCOLN (1861-1865)

Seu discurso mais famoso – sobre a batalha de Gettysburg, de 1863 –, tem menos de 1.500 palavras e, mesmo assim, atinge um nível de eloquência raramente alcançado, mesmo pelos maiores expoentes da retórica. No entanto, foi em seu segundo discurso de posse, em 4 de março de 1865, que Lincoln atingiu o que ele mesmo considerava seu melhor momento como autor e orador. “Sem malícia contra ninguém, com caridade para todos, com firmeza no caminho certo, até onde Deus nos permite ver o certo, vamos lutar para finalizar o trabalho no qual estamos metidos”, escreveu. Muitos dos seus discursos e trabalhos escritos seguem como bases dos ideais e objetivos democráticos, e são referências até hoje, inundados pela habilidade de expressar convicções com clareza, concisão e, também, muito vigor.

 

FRANKLIN ROOSEVELT (1933-1945)

Em seu discurso de posse, Roosevelt disparou uma máxima que constitui ainda hoje um dos melhores exemplos de como elevar o moral e a esperança de uma população desiludida, em tempos de crise: “não há nada a temer além do próprio medo”. Com palavras fortes e medidas tão poderosas quanto, Roosevelt realizou quatro mandatos, conduzindo os Estados Unidos por barras-pesadas como a Grande Depressão e a Segunda Guerra Mundial. Mesmo assim, ele tinha a seu lado o apoio e a admiração dos americanos, pois se mantinha próximo ao povo, de braços e ouvidos abertos às necessidades do público. Por isso, é uma das maiores inspirações, inclusive, de Barack Obama. “Roosevelt sabia explicar para as pessoas o que iria fazer e por quê. Eu pretendo imitá-lo”, disse o atual presidente.

 

JOHN F. KENNEDY (1961-1963)

Em seu livro A fácil arte de falar em público (Editora Record), o americano Jack Valenti conta que, na primeira vez em que ouviu Kennedy falar em público, não pôde acreditar. “Ele estava totalmente concentrado no texto, usava uma pronúncia estranha, a cabeça ficava inclinada e ele ficava mergulhado nas páginas do discurso. O centro das atenções era o topo de sua cabeça, pois essa era a parte que os ouvintes mais podiam ver”, conta. Era 1956, cinco anos antes de Kennedy tornar-se presidente. Nesse tempo, ele resolveu investir em sua apresentação, polindo suas habilidades naturais – segundo Valenti, um incrível bom-humor – e trabalhando-as para amenizar possíveis falhas e diluir a hostilidade da platéia. Deu resultado: em seu discurso de posse, Kennedy exibia o rosto erguido, estava animado e cheio de ardor, com excitação na voz. Com essas características, ganhou fama de orador exemplar. “Falar bem em público não é um dom genético herdado nem está sujeito à inspiração divina”, ensina Jack Valenti.

 

RONALD REAGAN (1981-1989)

Regan já dava demonstrações de sua habilidade retórica antes mesmo de tornar-se presidente. Em 1964, ele proferiu o famoso discurso A time for choosing (algo como “hora de escolher”), em apoio à candidatura de Barry Goldwater à presidência dos Estados Unidos. Após assumir o cargo ele mesmo, passou a discursar de forma patriótica, liberal e voltada para a ação. Um dos episódios mais famosos de seu governo deu-se em 12 de junho de 1987, quando Regan falou para uma multidão de 20 mil pessoas em Berlin Ocidental, numa Alemanha ainda dividida. Em frente ao Portão de Brandenburgo, num pedido enérgico, proferiu uma das frases mais famosas da Guerra Fria: “Mr. Gorbachev, tear down this wall!” (“Sr. Gorbachev, derrube este muro!”). O famoso pedido ao líder da União Soviética, assim como o discurso “Tear down” (“Derrube”), foi escrito por Peter Robinson, na época redator da Casa Branca. Outra mente que ajudou a compor as palavras do presidente foi a escritora política Peggy Noonan, uma das mais conceituadas dos Estados Unidos, que, inclusive, deu conselhos ao jovem John Favreau para a redação do discurso de posse de Obama, neste ano.
 



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