O renomado consultor e autor de best-sellers Gustavo Cerbasi ensina como qualquer um – sim, qualquer um! – pode ser um investidor e garantir rendimentos estáveis por toda a vida
Texto • Thiago Perin
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Gustavo Cerbasi tem o que a grande maioria das pessoas almeja: independência financeira. Isso significa que ele não precisa mais trabalhar e – com pouco mais de 30 anos de idade – pode se manter pelo resto da vida com os rendimentos do dinheiro que, estrategicamente, poupou e investiu nos últimos anos. Parece utópico? Pois não é.
Segundo ele, qualquer um pode garantir um futuro financeiramente estável, com um pouco de planejamento e escolhas sensatas de investimento. E ele pode dizer. Além de exemplo vivo de sucesso econômico, Gustavo Cerbasi é mestre em Administração/Finanças pela USP e autor de seis livros – entre eles o best-seller Casais inteligentes enriquecem juntos (Editora Gente), de 2004 – que contabilizam números impressionantes de vendagem no país. Neles, revela o universo financeiro de forma prática e descomplicada, mostrando que administrar o dinheiro de maneira eficiente e atingir também o status de independência é possível e menos difícil do que você imagina.
Nessa entrevista exclusiva, Cerbasi explica por que o brasileiro tem tanta dificuldade em controlar as finanças, dando dicas valiosas sobre como e quando poupar e investir, para garantir uma vida tranquila e uma estabilidade invejável após a aposentadoria. Confira!
Mentalidade é um termo simplista para explicar um grave problema cultural brasileiro. Temos duas questões mal resolvidas. Primeiro, nossa história de pobreza, que provoca na classe média um desejo de provar a si mesma que evoluiu em termos de padrão de vida. Segundo, um conjunto de vícios de consumo herdados do longo período de turbulência econômica, que impediu as famílias de se planejarem e as cegou para o planejamento de longo prazo. Como consequência, o brasileiro quer dar a seus filhos muito mais do que teve em sua infância, e lida com vícios como excesso de compras a prazo, criação de estoques e falta de planejamento.
Cerca de 10% de toda a renda ganha ao longo de 30 anos de carreira, para viabilizar uma aposentadoria no mesmo padrão da média de consumo ao longo da vida. Se obtiver rendimentos acima da média, atingirá seus objetivos até antes deste prazo. O ideal, porém, é poupar entre 15 e 20% da renda, visando elevar o padrão de consumo gradativamente, inclusive após a aposentadoria.
Quanto antes melhor. A partir do momento que você receber qualquer tipo de renda, deve tomar decisões de investimento.
Não há investimento ruim, mas sim investidores mal preparados. Por isso, sugiro às pessoas que não coloquem o dinheiro naquilo que não conhecem. O ideal é ter ao menos duas fontes diferentes de informações a respeito da aplicação.
Um dos mais graves erros ao investir é ficar continuamente mudando a estratégia de investimento, de acordo com a temperatura do termômetro. É importante adotar uma estratégia e ter consistência nas crises e na bonança. Quem sempre seguiu a lição básica de alocar seus recursos em renda fixa e variável, ganha na renda fixa nas crises e na renda variável na euforia. Se a baixa for forte, a pessoa deve compensar as perdas adquirindo mais ações, e deve passar longe da bolsa quando são anunciados lucros recordes.
Sem dúvida. A mesada deve ser sugerida pelos pais, caso o interesse não parta dos filhos, assim que a criança for introduzida às contas matemáticas básicas. É um instrumento para que os pais consigam explicar a ela como funciona o uso do dinheiro no dia-a-dia e prepará-la para a vida adulta. Porém, a mesada não deve ser entendida como presente ou como um direito; é importante que a criança entenda que essa é uma oportunidade de administrar uma pequena parte do orçamento da família.
O financiamento é um ótimo negócio para moradias populares, pois os juros são mais baixos e o aluguel é proporcionalmente mais caro para imóveis pequenos. Matematicamente, o aluguel é mais compensador para imóveis de médio e alto padrão. O erro mais comum não está em comprar a casa própria, mas sim em fazê-lo antes da hora, quando seria um bom momento para acumular riqueza e manter a vida flexível para oportunidades de carreira. O ideal é comprar a moradia, mesmo que financiada, depois que a vida adquire certa estabilidade.
Minha escolha mais infeliz foi com meu primeiro investimento em ações. Investi R$ 6 mil, e vendi na hora errada, saindo com R$ 3 mil. Se tivesse tido paciência, teria saído com R$ 18 mil dez meses depois. Meu grande acerto foi perceber que, na época em que o Lula estava a caminho de ser eleito pela primeira vez, a Bolsa havia caído tanto que as empresas estavam de graça. Foi quando fiz um investimento maciço em ações e rumei ao primeiro milhão três anos depois.
O mais recente lançamento do autor, Investimentos inteligentes (Editora Thomas Nelson Brasil) demorou cinco anos para ficar pronto. Segundo Cerbasi, o livro foi escrito com base nas principais dúvidas enviadas por leitores, a partir das quais ele montou um panorama do mercado financeiro, detalhando prós e contras de cada tipo de investimento e dando orientações estratégicas e práticas para multiplicar o seu capital. Vale a pena conferir.
Devido a sua importância crucial na vida, o tema, ou melhor, a matéria chamada finanças pessoais deveria ser ensinada pelas famílias já em casas e nas escolas como se faz por exemplo em Singapura, e tantos outros países que deram certo. As dicas do Gustavo Gerbasi podem ajudar milhões de brasileiros que não tiveram um aula sequer sobre como lidar com dinheiro. Parabéns. Edgardo
exmo sr:gustavo gerbasi sou de luanda(angola)gostei do disse, a muito tempo tentou controlar a minha economia ou(salario) e as depesa de casa. gostaria de obeter os teus livros.
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