O Brasil conquistou o atestado de "bom pagador", concedido por agências internacionais para nações que honram seus compromissos. A seguir, descubra o que é o tal grau de investimento e por que ele pode significar alta para nossa Bolsa
Texto • Redação
Há pouco tempo, o mercado financeiro brasileiro sofreu um terremoto. Mas o abalo foi positivo, com direito a comemorações e euforia. O motivo de tanto otimismo foi o anúncio da Standard & Poor’s, uma das principais agências de classificação de risco do mundo, sobre a elevação do rating do Brasil para grau de investimento (em inglês, investment grade). A conquista representa um selo de aprovação da comunidade financeira internacional, entre outras coisas, com relação à capacidade brasileira de honrar suas dívidas. Em outras palavras, indica aos investidores que o país é um destino seguro para o seu dinheiro.
As consequências são diversas, entre elas, o provável aumento do volume de recursos estrangeiros que entram no país. Muitos fundos de investimentos internacionais só têm autorização para aplicar recursos em papéis carimbados com o selo de investment grade, como os fundos de pensão americanos, por exemplo.
A escala de classificação da S&P segue um sistema de letras. O melhor devedor tem a nota AAA, enquanto o pior fica com a DDD. Antes do rating atual, a avaliação do Brasil era BB+. Agora, passou a BBB, ao lado de países como a Índia e o Cazaquistão. Entre as nações AAA, de risco baixíssimo, estão os Estados Unidos e o Reino Unido. A S&P foi a primeira agência a considerar o país desta forma, mas outras agências, como a Moody’s e a Fitch, devem seguir a mesma avaliação.
“Com o novo status, a tendência é que ocorra uma ampliação do fluxo de recursos do sistema financeiro internacional para o Brasil, o que poderá promover uma redução do custo de capital e dos mecanismos de financiamento no país, tanto no setor público como no setor privado”, afirma Sandro Maskio, professor de economia da Universidade Metodista de São Paulo. Se o custo do financiamento for reduzido, a taxa de juros cobrada para empréstimos também cairá e, por sua vez, atividade produtiva do setor privado vai ser estimulada. Segundo Maskio, este encadeamento não deverá ocorrer a curto, mas a médio e longo prazo.