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Quando o trabalho vira obsessão

Publicado por Redação em 15/07/2010 às 12h25

Será que você é um workaholic? Trabalhar é bom, ninguém duvida – faz bem para a cabeça, para a vida e para o bolso. Mas trabalhar demais pode tornar-se um problema sério. Descubra onde está o limite entre a dedicação e o exagero

Texto • Otávio Nagoya
 


 

Durante suas férias, a maior parte de seus pensamentos está voltada para um projeto inacabado? Você faz refeições curtas para ter mais tempo para produzir? A relação com parentes e amigos está fraca, pois seu tempo livre também é ocupado pelo trabalho? Se a maioria das suas respostas for positiva, cuidado! Você está se tornando (ou já é!) um workaholic.

Você certamente já ouviu essa expressão. Criada nos Estados Unidos, ela refere-se àquele tipo de pessoa viciada em trabalho. A obsessão é tamanha que a vida pessoal perde lugar para a vida profissional, as amizades são comprometidas e a família conta apenas com um pequeno pedaço de sua atenção. Fran Abreu, publicitário e diretor da empresa DPTO, conhece na pele este problema – ele é um ex-workaholic.

Fran trabalhava 19 horas por dia e suas relações pessoais sempre eram deixadas para a última hora. A mudança em sua vida só ocorreu quando ele percebeu que, apesar do sucesso profissional, continuava infeliz. Depois de mudar sua atitude, Fran analisa seus dias atuais: “Hoje sinto que estou muito mais feliz, menos ansioso e mais produtivo e criativo. Vejo que minhas ideias são mais claras, os problemas são resolvidos com maior agilidade e com menos sofrimento”. É perceptível, também, uma grande melhora em suas relações sociais e em suas atividades paralelas ao emprego, como a prática do yoga. (Olha aí que boa ideia! Vale a pena dar uma olhada em nossa seção de Yoga.)
 

Não é nada pessoal

Um workaholic esconde e rebaixa seus sentimentos e está sempre insatisfeito consigo e com o seu desempenho. Assim, é natural que seus laços pessoais se desgastam e afrouxam. Ana Cristina Limongi França, diretora do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Gestão da Qualidade de Vida no Trabalho, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP (Universidade de São Paulo), acredita que em situações deste tipo a família pode ajudar, mas afirma que esta ajuda somente será eficaz se houver confiança de ambas as partes.

Além dos atritos nas relações pessoais, o vício pode ser prejudicial para a saúde, causando doenças físicas e emocionais. Segundo Ana Cristina, os workaholics sofrem de muitos problemas, “desde condições subclínicas, que não incapacitam para o trabalho – como dores de estomago, insônia, alergias, gripes que não saram – até cardiopatias e depressão”. A qualidade de vida também é muito afetada. O publicitário Fran Abreu recorda que, antes de repensar a sua situação, fumava em excesso e adoecia com freqüência, na maioria das vezes, sem saber o motivo.

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