Exercitar o cérebro é essencial para aumentar nossa capacidade de raciocínio e melhorar nossa qualidade de vida, além de cooperar para um envelhecimento mais saudável. Descubra agora como se matricular nessa verdadeira academia mental
Texto • Renata Guerra
É natural que, com o avançar da idade, a memória, o raciocínio e a percepção de uma pessoa fiquem mais lentos e comecem a falhar. Esses processos da mente fazem parte da chamada capacidade cognitiva, que pode e deve ser treinada, como um músculo de qualquer parte do corpo. Existem atividades intelectuais que funcionam como uma academia de ginástica para a mente, mantendo-a mais viva, ágil e funcional, mesmo quando a idade já está avançada. Vale lembrar que nunca é cedo demais para começar a pôr o cérebro à prova.
Para a neurociência, a capacidade cognitiva é formada por várias funções que atuam, invariavelmente, em conjunto. As principais são a percepção, a atenção, a memória, a linguagem e as funções executivas. “Ao detectar cheiro de fumaça (atenção), uma pessoa vai reconhecer (percepção), de acordo com o que já foi aprendido (memória), que esse pode ser um sinal de incêndio. A partir disso, ela busca estratégias para solucioná-lo, como manter a calma, retirar as pessoas do local e chamar por socorro (funções executivas)”, afirma a neuropsicóloga Maria Alice Novaes.
A especialista explica que dois dos fatores mais importantes para o aprimoramento da capacidade cognitiva são os hábitos de uma alimentação saudável e um período adequado de sono durante a noite. “Não dá para fazer milagre se a pessoa estiver com deficiência em pelo menos uma dessas duas funções, que são essenciais à manutenção da vida”, diz Maria Alice.
Além de melhorar a capacidade de raciocínio e a qualidade de vida, a pessoa que desenvolve sua capacidade intelectual está também se defendendo de possíveis perdas de memória, fenômeno comum na velhice ou em casos de doenças degenerativas, como o mal de Alzheimer.
Segundo pesquisadores do Instituto de Psiquiatria de Londres, portadores de Alzheimer que possuem maior nível de educação não sofrem rápida deterioração de partes do cérebro e são capazes de combater os sintomas da doença de forma mais efetiva. Essa pessoa adquiriu, ao longo da vida, o que a comunidade científica chama de “reserva cognitiva”, por meio do treinamento da mente.