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Filosofia budista para o hoje

Publicado por Redação em 29/09/2010 às 16h26

Como viver segundo os valores budistas em um mundo no qual a conquista de bens materiais parece estar sempre à frente de tudo? Entenda, agora, como a doutrina budista, aliada à meditação, pode ajudar a encontrar essa e muitas outras respostas

Texto • Renata de Salvi e Renata Rossi

O que é a felicidade para você? Viver em um palácio cercado de luxo? Com servos satisfazendo cada uma de suas vontades? Nascido em VI a.C., Siddharta Gautama, príncipe de um reino do Nepal, passou sua infância e juventude nesse prazeroso meio de vida. Entretanto, não se entregou a essa condição. Ainda jovem, decidiu abandonar a vida confortável e partir mundo afora em busca de respostas para o sofrimento da humanidade. Nessa nova empreitada, depois de dias de meditação, tornou-se Buda, o iluminado.

Foi assim, graças ao processo que o levou à iluminação, que Siddharta compreendeu a importância da consciência na vida de cada pessoa e desenvolveu o budismo, uma das doutrinas mais respeitadas e conhecidas nos quatro cantos do mundo. Ao longo do tempo, seus ensinamentos ultrapassaram as fronteiras da Índia e passaram a ser praticados por representantes das mais diversas culturas, classes sociais e idades.

A escolha do príncipe, que abriu mão de suas riquezas materiais em troca de novas experiências e conhecimento, parece improvável nos dias de hoje. Mas para quem se habituou ao ritmo da sociedade contemporânea, os ensinamentos disseminados pelo Buda podem ser bastante úteis.

Buda disse uma vez: “Existem duas espécies de doenças: a física e a mental; no entanto, há indivíduos que têm a felicidade de estarem isentos de doença física durante um, dois, ou mais anos, ou mesmo durante o decorrer de toda a vida. Mas, raros são aqueles que neste mundo estão isentos, um só instante, da doença mental”. Há 2.500 anos, o fundador do budismo já nos alertava sobre a importância de cuidar dos nossos pensamentos. De acordo com ele, manter a paz da mente geraria um grande bem-estar, enquanto a falta de tranquilidade poderia ocasionar diversas doenças.

Embora este raciocínio já tenha sido ratificado pela ciência, desenvolver a aptidão de refletir de maneira pura requer paciência. Segundo a doutrina, o caminho mais apropriado para libertar nossos pensamentos das sensações negativas – como ódio, ciúme ou ansiedade – é a meditação. Por meio desta técnica, passamos a dispor de uma forma neutra de contemplar todas as coisas e nos livramos de visões preconceituosas, que só trazem malefícios.

Para os budistas, existem várias maneiras de chegar a esse estado de espírito. A meditação que se faz sentada (conhecida como zazen), por exemplo, é uma das muitas formas de entrar em contato consigo. Pode-se fazer o exercício durante todo o dia, caminhando em um parque, comendo, em silêncio. De qualquer forma, o método não importa tanto; o que importa é sentir-se à vontade com a prática e conseguir manter a concentração.



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