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Galiléia: o berço do cristianismo

Publicado por Redação em 23/09/2010 às 18h20

Terra natal de Cristo e de quase todos os seus apóstolos, a Galiléia foi objeto de cobiça e discriminação da sociedade judaica. Saiba como era a vida de seus habitantes e acompanhe a trajetória da região sagrada dos tempos de Jesus até hoje

Texto • Gabriel Pinheiro


 

“Pode vir algo bom de Nazaré?”, perguntou Natanael, escolhido por Jesus como apóstolo, em um trecho do Novo Testamento, referindo-se à cidade da Galiléia, onde Cristo nasceu. Essa emblemática passagem bíblica mostra a má reputação da antiga província do norte da Palestina, de onde também eram todos os discípulos de Jesus, com exceção de Judas Iscariotes.

A região, menosprezada pela sociedade judaica da época, era conhecida como terra de revolucionários. Exemplo disso são relatos históricos que contam que, por volta de 4 a.C., um rebelde saqueou o arsenal de Séforis, capital da província, e armou seus seguidores. Capturando-o, as tropas romanas que governavam a Palestina queimaram a cidade, que depois foi reconstruída. Após dez anos, um outro insurgente, conhecido por Judas, levantou uma revolta contra o imperador pagão de Roma, conclamando os galileus a não pagarem os impostos. Como resultado, cerca de 960 judeus, entre homens, mulheres e crianças, se mataram para não serem levados como prisioneiros pelos soldados romanos.

“Se olharmos a história da Galiléia desde o período das tribos de Israel, em 1200 a.C., vemos que se trata de uma região cobiçada e área de constantes conflitos bélicos ao redor da produção agrícola”, afirma Rafael Rodrigues da Silva, professor de Teologia da Pontíficia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP). Maiores produtores de trigo da Palestina, graças a essa fartura e recorrentes confrontos, os galileus eram chamados de “numerosos e belicosos”.
 

Povo "caipira"

Os profetas do judaísmo viam a Galiléia, considerada culturalmente retrógrada, como uma terra de maldição, e os textos rabínicos descrevem seu povo como “caipira”. Segundo escritos da época, o dialeto hebraico falado na região era tão grosseiro que os galileus não eram chamados para ler a Torá – o livro de leis do judaísmo – nas sinagogas de outras províncias. Falar o aramaico, a linguagem comum, de forma grosseira era algo que caracterizava o judeu da Galiléia.

“Em termos sociais, a região mantém desde tempos antigos a organização por meio de clãs (famílias), que se congregavam em aldeias e vilas”, explica Rodrigues da Silva. “Temos as aldeias da Alta Galiléia e da Baixa Galiléia, que, socialmente e politicamente falando, representaram a força de defesa da província frente ao controle das cidades e, certamente, na resistência ao domínio estrangeiro”, continua ele, referindo ao rígido domínio romano na região. “Falar da Galiléia a partir das aldeias implica na percepção de uma região marcada pela manutenção das antigas tradições”.

O professor explica que a transmissão oral dessas tradições era um aspecto característico da província. “A oralidade era muito forte na Galiléia, assim como a resistência da cultura do povo presente na manutenção da língua aramaica”, diz ele. As sinagogas também eram peça fundamental na organização da sociedade. “Em termos religiosos, nos deparamos não só com uma Galiléia que mantém as tradições da casa, mas que também concentra as dimensões da religião nas sinagogas. Era lá que o povo estudava a Torá, fazia suas orações diárias e reunia-se para discutir os problemas da vila”, continua Rodrigues da Silva, que destaca a importância das sinagogas também como local para a realização de assembléias gerais.



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Ivani Medina comentou às 15h10 em 27/08/2015 responder denunciar

Quando iniciei minha pesquisa diletante acerca da origem do cristianismo, eu já tinha uma ideia formada: nada de Bíblia, teologia e história das religiões. Todos os que haviam explorado esse caminho haviam chegado à conclusão alguma. Contidos num cercadinho intelectual, no máximo, sabiam que o que se pensava saber não era verdade. É isso o que a nossa cultura espera de nós, pois não gosta de indiscrições. Como o mundo não havia parado para que o Novo Testamento fosse escrito, o que esse mesmo mundo poderia me contar a respeito dessa curiosidade histórica? Afinal, o que acontecia nos quatro primeiros séculos no mundo greco-romano, entre gregos, romanos e judeus? Ao comentar o livro “Jesus existiu ou não?”, de Bart D. Ehrman, exponho algumas das conclusões a que cheguei e as quais o meio acadêmico, de forma protecionista, insiste ignorar. http://cafehistoria.ning.com/profiles/blogs/paguei-pra-ver

luiz carlos comentou às 20h54 em 27/03/2012 responder denunciar

O nome "Yeshua" deriva-se de uma raiz hebraica formada por quatro letras – ישוע (Yod, Shin, Vav e Ayin) - que significa “salvar”, sendo muito parecido com a palavra hebraica para “salvação” – ישועה, yeshuah – e é considerado também uma forma reduzida pós-exilio babilônico do nome de Josué em hebraico – יהושע, Yehoshua – que significa “o 'Eterno' (YHWH) salva”. Essa forma reduzida era muito comum na Bíblia hebraica (ou Tanakh), que cita dez indivíduos que tinham este nome – como podem ser visto nos versos de Esdras (Ezra) 2:2, Esdras (Ezra) 3:2 e Neemias (Nehemiá) 12:10. "Josué", o Yehoshua, reduzido como Yeshua (aramaico), ou reduzido como Iesous (grego; onde não se pronuncia o "s" final); com esse último nome, a Roma-Grécia apelidou o sucessor de Moshê ("Moisés"), onde virou cultura e tradição. O Hebreu era filho de Num da tribo de Efraim, nascido no Egito, circuncidado com o nome de Hoshêa, ao consagrá-lo para seu sucessor Moshê deu-lhe o nome de Yehoshua, pois dentre os que saíram do Egito, ele foi achado digno de conduzir o povo de Israel à terra de Canaã. A afirmação de que a forma Yeshua é o nome original de "Jesus" tem sido muito debatida atualmente – alguns afirmam que era Yehoshua ou que a própria forma grega do nome “Jesus” era usada entre os cristãos antigos (comunidades falantes do Grego existentes em Israel, durante o período helenístico e posteriormente, sempre afirmaram que os manuscritos originais do Novo Testamento foram escritos primariamente em Grego). De qualquer forma, já se tem provas explícitas de que "Jesus", seus primeiros discípulos e a população que vivia na Terra de Israel naquele período, falavam aramaico (ou um tipo de hebraico-aramaico). Eusébio de Cesareia relata que Mateus escrevera seu evangelho em “hebreu” (um termo que era usado referente a um dialeto do aramaico ou a língua hebraica propriamente dita). Temos também o testemunho que restou da versão de "Áquilla" (um judeu que havia se convertido a Yeshua e posteriormente o renegou, retornando ao judaísmo) que, diferentemente da Septuaginta, traz em Deuteronômio a expressão IESOUA', com ALPHA no final, o que daria a entender que mesmo em grego havia uma forma para YESHUA, embora seja possível perceber Yeshua também em outras formas gregas, como IESOU', IESOUS (onde não se lê o "s" final, semelhante a um sotaque aramaico que pronuncia IEShU'.). Ainda na Septuaginta e na língua grega usada em textos judaicos como os escritos de Josefo e de Fílon de Alexandria, Ιησούς (Iēsoûs - lembrando que não se lê o "s" final) foi a forma padrão grega do nome hebraico “Josué” - יהושע (Yehoshua). Os indivíduos chamados pelo nome de "Yeshua" (aportuguesado por Jesuá nas Bíblias portuguesas) sempre foram transliterados também como Iēsoûs (ou primeiramente na forma Iēsoua´, como está na versão de "Áquilla".). Demonstrando ser realmente uma forma reduzida do nome “Josué” – Yehoshua – usado no dialeto falado durante tempo de Esdras e Neemias, Yeshua foi o nome preferido para o filho de "José" (Yosseph) segundo o que temos de Novo Testamento, assim mesmo, resumidamente, seja em grego (IESOU/IESOUS - lido como Yeshu') ou em aramaico YESHU' (às vezes lido como Yísho, Yeshua, dentre outros). Todas as ocorrências desta forma reduzida se encontram nos livros de Crônicas, Esdras e Neemias. Dois destes indivíduos são citados em outros livros bíblicos, mas na sua forma longa – Yehoshua (Josué filho de Nun e Josué filho de Jozadaque). A forma reduzida do nome é usada por Jesus filho de Sirá em fragmentos hebraicos do Livro de Sirá ou conhecido também como Eclesiástico. Baseados numa comparação destes textos, acadêmicos aceitam o fato de que este livro de Jesus ben Sirach foi originalmente escrito em hebraico, deixando evidente nele referências a estes antigos fragmentos hebraicos originais. Se isso for verdadeiro, pode-se estender a evidência do uso do nome Yeshua até o século II a.C.. Nenhum uso do nome Yeshua é achado no Talmud, exceto em citações literais da Bíblia hebraica quando esta cita Josué filho de Jozadaque. Porém o nome Yehoshua foi muito utilizado durante o período dos Hasmoneus e até um pouco depois. Ao referir-se a um certo "Jesus" (Cristo?), o Talmud o chama de "Yeshu", pois podemos ler no Talmude Babilônico a acusação dos judeus contra ele: "Na véspera da Páscoa eles penduraram Yeshu [...] ia ser apedrejado por prática de magia e por enganar Israel e fazê-lo se desviar [...] e eles o penduraram na véspera da Páscoa." (Talmude Babilônico, Sanhedrim 43a) [editar] Yeshu no TalmudNos relatos de Toledoth Yeshu, elementos dos Evangelhos sobre Jesus são conflitados com descrições dos indivíduos chamados pelo nome de “Yeshu” no Talmud. Price [1] interpreta “Yeshu” como uma forma abreviada de “Yeshua” e argumenta que esta era a forma pelo qual Jesus era conhecido pelos Judeus. De qualquer forma, as narrativas de Toledoth Yeshu tipicamente explicam a designação Yeshu como um acrônimo da frase hebraica ימח שמו וזכרו - Yemach Shemô Vezichrô (Seja apagado seu nome e sua memória) e declararam que este nome originalmente era Yehoshua (querem dizer: na forma longa, para "Josué", primeiramente fora sim Yehoshua.). Já outros, dizem que o responsável pela diminuição, por assim dizer, foi o sotaque galileu, que pronunciou YESHU devido sua dificuldade de falar a letra final gutural. Isso também podemos detectar em nomes de pessoas árabes, como por exemplo o sobrenome IACHOUH (pronuncia-se: i-ê-shu, ou às vezes i-ê-shu-ah).

luiz carlo comentou às 20h48 em 27/03/2012 responder denunciar

meu querido amido deste bloque parece que esta avendo uma contratição o cristianismo nasceu em constatinopla por contantino e não na galileia na galileia o salvador iniciou a pregação através da leí e o nome do salvadoe em ebraico e yaohushua e a letra jota não existem no ebraico e nem no grego se existe a letra j. noa lingua mae como podemos de jesus e o missia meu querido pesquise vé se não esta sendo enganado pelo o sistema religioso de constantino os primeiro nazirim foram chamado la em antioquia pela a primeira véz depois de 70 anos o salvador não pregou cristianismo por cristianimo e a omenagens a constatino pr

Evellen comentou às 20h04 em 29/09/2011 responder denunciar

Muitoo legal essaa escrituraa esse textoo bem legal se talvez eu conseguir copiar eu vou copiar paraa mostrar paraa a minhaa professoraa elaa vai ficar encantadaa ! Muitoo legal ameii essee textinhoo.

Guilherme comentou às 12h59 em 15/04/2010 responder denunciar

Acho que há uma contradição. Se havia sinagogas na Galileia, quem ia? Se houve uma guerra após outra, quem lutava? Os saduceus não seguiam a Torá, conforme Josefo, e eles viviam na Judeia.

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