Bem mais do que uma expressão artística, a música tem sido, ao longo da história, um presente divino para os cristãos. Saiba como o canto pode ser uma forma de se aproximar de Deus
Texto • Lívia Filadelfo

O poder da múdica como expressão da fé em Deus aparece em várias passagens da Bíblia. Mas muito antes da concepção da doutrina cristã, a canção já era utilizada nos rituais sagrados das mais diversas religiões do planeta. Em tribos selvagens, por exemplo, a música fazia parte de cerimônias mágicas e, por isso, era cuidadosamente transmitida de geração para geração pelos feiticeiros do grupo. Os sons musicais estavam ligados à magia, à religiosidade, ao rito propiciador de espíritos, aos mortos e aos trabalhos coletivos.
Na Grécia Antiga, a arte musical era considerada um donativo especial às divindades. Cantadores ambulantes, acompanhados pela lira de quatro cordas, louvavam a memória dos deuses, heróis e feitos nacionais. Posteriormente, foram fixadas melodias-tipo, chamadas nomos, que não podiam ser alteradas e às quais eram atribuídas funções mágicas, morais ou ritualísticas. O nomo era considerado uma forma de comunicação divina e só podia ser executado por grandes artistas.
A música como instrumento da fé também estava presente entre os antigos hebreus: nas canções populares do povo judeu, nos combates, nas festas do Monte Sinai, nas peregrinações pelo deserto. No início, a Igreja Católica primitiva usava os salmos e as melodias dos hebreus, mas, com o tempo, passou a utilizar os hinos compostos por seus próprios membros. Eram canções de conforto e alegria, para serem cantadas durante períodos de martírio. Muitos condenados à morte cantavam hinos de louvor a Deus momentos antes de sua execução.
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