Segundo a história cristã, Maria Madalena tornou-se apóstola e começa a pregar os conceitos do cristianismo depois que Jesus tirou dela sete demônios – passagem que também colaborou em sua associação à figura pecadora, ainda que o termo possa ter sido usado para se referir a doenças comuns da época. A partir de então, sua proximidade com o profeta segue magnânima até o fim do episódio final da paixão de Cristo.
Além de Maria, mãe de Jesus, Maria Madalena é dita como a única mulher presente durante a crucificação. Da mesma forma, é ela quem fica para trás e lamenta a morte de Jesus sobre sua tumba, além de ser a primeira testemunha da ressurreição, a única apóstola para quem ele aparece antes de subir aos céus.
Os laços entre Madalane e Jesus mostram-se especialmente fortes também no evangelho apócrifo de Filipe, que, entre outras passagens, relata o costume mantido por Jesus de beijar a discípula na boca, o que provocava o ciúme dos outros seguidores. Ainda no Evangelho de Filipe, encontramos o seguinte trecho: “Havia três que sempre caminhavam com o Senhor: sua mãe, Maria, sua irmã e Madalena, que era chamada sua companheira”.
Maria Madalena tem, em discussões e especulações recentes, tomado, também, o posto daquela que continuou a saga profética de Jesus após a crucificação e a ressurreição, difundindo sua mensagem para o mundo. A proposta parece especialmente interessante se colocada frente à hegemonia masculina que a religião cristã sempre teve incorporada a si – uma tradição cuja fundamentação poderia ser reduzida a pó se constatado, de fato, que Maria Madalena foi a maior propagadora dos ideais cristãos após a morte de Cristo.
Nesse contexto, o Evangelho de Maria Madalena apresenta conceitos que merecem atenção. “Ao longo dos anos, acabou criando-se uma obsessão com o pecado, tudo passou a ser visto como tal. Os escritos de Maria Madalena apontam que não existe pecado, nós é que o fazemos existir. Além disso, ele destaca a proeminência da mulher e também a importância de se estar sempre em harmonia consigo mesmo e com o mundo”, explica frei Jacir.
O pouco que se sabe, no entanto, vem dos textos canônicos, que não oferecem muitos detalhes, e dos evangelhos apócrifos, rejeitados pelo Vaticano. Da mesma forma, existem diversas versões para a trajetória de Maria Madalena após a morte de Jesus. Uma delas romanceia sobre seu exílio voluntário em uma caverna, onde teria vivido sozinha por mais de 30 anos, como forma de se redimir de pecados de vidas passadas. Quando morreu, então, ela teria sido carregada aos céus nos braços de anjos, assumindo seu posto como uma das figuras essências na gênese e no fortalecimento da religião cristã.
Maria Madalena foi imortalizada por grandes pintores ao longo dos séculos, sendo retratada tanto como santa quanto como prostituta. As obras que mostramos aqui são, na ordem conforme aparecem na matéria: A penitente Maria Madalena (1825), de Francesco Hayez; e Maria Madalena (cerca de 1500), de Pietro Perugino.
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