Amar tudo e todos é uma das célebres lições deixadas por Jesus. Mas, apesar de a conhecermos tão bem, poucas vezes conseguimos colocá-la plenamente em prática. No texto a seguir, o escritor e psiquiatra Augusto Cury analisa esta questão
Texto • Redação

Com base nos seus conhecimentos psiquiátricos, psicológicos e nos Evangelhos, na obra O mestre dos mestres o escritor Augusto Cury expõe uma análise intrigante sobre a inteligência de Jesus. Nela, o autor levanta características da personalidade do Salvador, estuda os ensinamentos deixados por ele à luz da atualidade e mostra como aplicá-los em nosso dia a dia. Confira, agora, um trecho deste livro que ressalta a difícil arte de amar que Cristo tanto ensinou, viveu e compartilhou.
De todas as características da escola de Cristo, a do amor é a mais elevada e a mais nobre e, ao contrário do que possamos pensar, é uma das mais difíceis de se compreender, pois ultrapassa os limites da razão lógica. Amar uns aos outros era um princípio fundamental. Estamos acostumados com a cultura cristã e por isso não ficamos intrigados com essas palavras. Do ponto de vista psicológico, amar uns aos outros é uma exigência poética e bela, mas, ao mesmo tempo, altíssima e dificílima de ser alcançada.
Freud, na teoria da psicanálise, deu ênfase à sexualidade. O instinto sexual e os conflitos gerados por ele estão no cerne de muito textos psicanalíticos. Não há dúvida de que determinados conflitos sexuais estão na base de algumas doenças psíquicas. Contudo, a tese freudiana de que todos os fenômenos inconscientes se explicam por experiências infantis ligadas à libido (energia sexual) é limitada e inaceitável. Temos que considerar o ser humano além dos limites da sexualidade, além dos limites dualistas da relação homem-mulher, e o compreendermos na sua totalidade, de forma a podermos ir ao encontro de suas necessidades universais.
O que mais somos em grande parte do nosso tempo? Homens ou mulheres, machos ou fêmeas? Se estudarmos a construção da inteligência e as necessidades psíquicas e fundamentais, constataremos que na maior parte do nosso tempo (provavelmente noventa por cento) não somos nem machos, nem fêmeas, homens ou mulheres, mas apenas seres humanos, que possuem necessidades universais.
Quais são essas necessidades universais? Necessidades de prazer, de entretenimento, de sonhar, de ter sentido existencial, de superar as angústias existenciais, de transcender os estresses psicossociais, de superar a solidão, de desenvolver a criatividade, de trabalhar, de atingir objetivos, de alimentar-se, de repor as energias durante o sono, de amar e também de satisfação sexual. Quando procuramos evidenciar excessivamente nossa masculinidade ou feminilidade, provavelmente está havendo comprometimento da sanidade psíquica.