A seguir, o psicólogo norte-americano Mark Baker, em entrevista exclusiva, conta mais detalhes sobre sua obra e revela seu ponto de vista sobre religião, fé, espiritualidade e psicologia.
Texto • Henrique de Breia e Szolnoky e Milena Castro
Um dos maiores desafios para o homem moderno é descobrir o segredo para manter uma vida serena, na qual as complicações e o estresse do dia a dia não são obstáculos para a felicidade. Para Mark Baker, autor do best-seller Jesus, o maior psicólogo que já existiu, a resposta pode estar em uma combinação que à primeira vista parece inusitada: religião e psicologia. Baker, que é PhD em psicologia com experiência de mais de 20 anos na área, explica em uma esclarecedora entrevista como aliar essas duas forças e alcançar paz interior por meio de crenças e tratamentos. Acompanhe.
Quando estudava psicologia, fiquei interessado em religião e fui para um seminário estudar teologia. Minha carreira profissional começou quando combinei os dois temas. As pessoas no ramo da psicologia não acreditavam que eles poderiam estar associados, mas durante centenas de anos, o único psicólogo que existia era o padre, que tirava todo o seu treinamento da Bíblia. Quando a psicologia nasce com Sigmund Freud, que encarava a religião de forma radical, dá-se a divisão entre elas. Meu livro é um retorno ao que era antes. Estou colocando o que os padres diziam em termos atuais, falando sobre problemas de hoje com a sabedoria dos ensinamentos de Jesus.
A minha visão da psicologia é chamada de Teoria Psicológica Contemporânea, diferente da visão tradicional de Freud. A maneira com que você trata de um paciente em uma consulta é a mesma com a qual Jesus falava com as pessoas na rua. Quando Ele conheceu a mulher no poço (*), não a tratou como alguém que deveria se sentir mal consigo mesma; não falou algo do tipo “você está no quinto casamento, tenha vergonha”. O que disse foi “sei tudo sobre você. Sei o que está acontecendo”. Ela se sentiu bem, se sentiu compreendida e quis mudar sua vida porque conheceu o amor, não porque se sentiu culpada.
Acho que as pessoas querem saber como podem ser espirituais e emocionais ao mesmo tempo. Por anos e anos, elas recorreram à Igreja, aos ensinamentos de Jesus para permanecer saudáveis, e isso ainda é verdade. Elas sabem disso, compram o livro porque querem saúde. Estou recebendo e-mails de pessoas de todo o país dizendo que não são religiosas, mas não rejeitam a religião.
Não dá para separar os dois, eles não são diferentes. A psicologia saudável examina as crenças. A religião saudável também. Jesus era psicologicamente saudável conforme ensinava sua espiritualidade. A separação entre o mundo sagrado e o mundo secular é uma ficção. Toda a vida é sagrada. Depende de como você a encara, do quanto você presta atenção às coisas que importam.
Isso era verdade, mas a psicologia contemporânea diz que não há “eu” separado da sua conexão com o mundo. Na Europa e nos Estados Unidos há um movimento chamado “autopsicologia”, o estudo do “eu”, que diz que não há “eu” além da sua conexão com os outros. Você só será saudável se estiver conectado aos outros, respondendo a eles e sendo correspondido. Assim é na religião. Você descobre que não pode se salvar sozinho. Para a psicologia, os pais fazem esta ponte, para a religião, Deus. Mas é a mesma teoria. Esse é o eixo do meu livro.
Atingimos serenidade em relacionamentos com pessoas que respeitamos, que se importam conosco. Em uma relação dessas, podemos enfrentar o mundo. Jesus dizia “entregue-se a Deus. Saiba que existe Alguém que está sempre lá para ajudá-lo”. Ele não dizia “Deus irá acabar com todos os seus problemas”. Serenidade não é ausência de problemas, é a presença de força para enfrentá-los. Jesus dizia que é Deus, a psicologia diz que pode ser qualquer pessoa, mas o princípio é o mesmo.
(*) Na Bíblia, evangelho de João, capítulo 4, Jesus pede a uma mulher um pouco de água de um poço perto da cidade de Samária. Na época, judeus odiavam samaritanos, especialmente as mulheres, o que fez com que a moça estranhasse o pedido. Segue, então, um diálogo metafórico sobre a água, a sede e os ensinamentos divinos.