
A obra de maior importância para os cabalistas é o Zohar, o Livro do Esplendor, escrito há quase dois mil anos. Trata-se de uma interpretação do manuscrito cabalístico mais antigo, o Sêfer Ietsirá ou Livro da Formação, cuja autoria é atribuída ao patriarca Abraão. Segundo o Zohar, o universo é regido por leis espirituais precisas de ação e reação, causa e efeito.
O comentário mais famoso sobre o Zohar foi escrito no século XX pelo Rabbi Yehuda Ashlag e é chamado de Sulam. Nele, é descrito um método prático, passo a passo, para entender essas leis e alcançar o grande objetivo de todas as almas: atingir um grau de espiritualização em que não existam mais barreiras entre o mundo da matéria e o mundo do espírito. Assim, a criatura seria, novamente, aderida ao Criador. Essa posição é chamada de “o fim da correção”, o mais alto nível de completude.
Todos esses textos – apesar de já poderem ser lidos por qualquer pessoa que tenha interesse sobre temas como a criação do universo, a vida após a morte e a evolução espiritual –, em geral, não são de fácil compreensão. O motivo é simples: tratam de realidades espirituais totalmente desconhecidas pelo homem comum, que não podem ser vistas, ouvidas nem captadas por nenhum dos cinco sentidos. São escritos, portanto, na chamada “linguagem dos ramos”, que utiliza conceitos que a nossa mente pode entender para se referir às raízes de tudo o que existe, que estão nos planos espirituais.
Para apreendê-los, é preciso um esforço que transcenda o mundo físico, o desenvolvimento de um sexto sentido que só pode ser criado a partir de uma forte intenção em direção a Deus. Mas os cabalistas garantem que esse sexto sentido pode ser desenvolvido por qualquer um, o que depende apenas de esforço pessoal, do desejo de se corrigir espiritualmente para poder receber a luz divina.
Além da cabala teórica, que envolve apenas o estudo e a meditação, há o que alguns chamam de cabala mágica. Essa vertente, vista com certa reserva por muitos estudiosos da filosofia (entre eles judeus ortodoxos), acredita na prática da canalização de energia para a realização de efeitos sobrenaturais e a interferência nos acontecimentos do mundo físico. Cabalistas respeitados, no entanto, deixam clara a mensagem: a sabedoria da cabala não pode nem deve ser usada para alcançar benefícios pessoais, materiais e egoístas. Seu propósito deve ser somente o de descobrir os caminhos para nos reencontrarmos com Ein Sof, a Fonte Infinita, de onde viemos e para onde vamos.
como ser um adepto da cabala ou adiquirir conhecimentos
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