Base fundamental da Cabala, o alfabeto hebraico tem as propriedades de um poderoso oráculo, mas não para prever o futuro ou traçar o destino de alguém. Em vez disso, as letras cabalísticas podem ser utilizadas para sanar dúvidas universais, orientando e inspirando o seu amanhã
Texto • Paula Bianca de Oliveira
Ter sempre à mão uma fonte de inspiração para os momentos de angústia. Levar consigo, para qualquer lugar, uma ferramenta de orientação que ajude a diluir as dúvidas mais persistentes. Esta forma de buscar um direcionamento para a vida é conhecida há séculos por cabalistas de todo o mundo que, utilizando as letras hebraicas, obtêm respostas espirituais para suas aflições mais profundas.
Estudiosos dizem que não é preciso conhecer a fundo a cabala para se beneficiar de suas propriedades. O essencial é estar de coração aberto para receber o alfabeto hebraico, assimilando paulatinamente o significado e o poder de cada letra. “Seja qual for a ocasião, as letras devem ser utilizadas como instrumento de meditação”, define Cristina Tehilah, coordenadora geral da Academia de Cabala, em São Paulo, o maior grupo de cabala contemplativa do mundo.
Longe de apresentar respostas objetivas ou previsões precisas sobre o que há de acontecer, Cristina explica que, fundamentalmente, as letras devem ser utilizadas como ferramentas de autoconhecimento. “Mentalizando o símbolo que cada letra hebraica reproduz, é possível alcançar um estado de consciência no qual se iniciam níveis mais profundos da intuição e da compreensão espiritual. A partir daí, devemos questionar: que pontos essa simbologia me esclarece para que eu possa ser uma pessoa melhor?”, explica.
Para a estudiosa, na cabala não há adivinhações, mas um método de compreender melhor a si mesmo e, dessa maneira, lidar adequadamente com o mundo ao seu redor. “A cabala nos traz um tipo de conhecimento que não pode ficar trancado a sete chaves, como um trunfo individual. Sua proposta de retificação dos mundos é coletiva, e seus ensinamentos devem nos elevar espiritualmente para que saibamos atuar no mundo físico”, resume a especialista.