Encher a casa de boas vibrações, estimular a harmonia entre os familiares e, é claro, o avanço no entendimento da doutrina espírita: saiba porque e como realizar o Evangelho no Lar
Texto • Geisa D’avo
“Onde quer que se encontrem duas ou três pessoas reunidas em meu nome, eu com elas estarei” (Mateus, 18:20). As conhecidas palavras de Jesus Cristo levantam uma questão pertinente: se não precisamos de locais específicos, multidões inflamadas ou sacerdotes experientes, haveria lugar mais propício para iniciar o cultivo de uma doutrina religiosa do que dentro do nosso próprio lar? Segundo o espiritismo, a resposta é que o exercício da fé pode ser realizado a qualquer hora e em qualquer lugar – ainda assim, dar o primeiro passo em nossa casa é, mais do que saudável, essencial.
“Toda vez que se ora num lar, prepara-se a melhoria do ambiente doméstico. (...) O lar que cultiva a prece transforma-se em fortaleza”, ensina o espírito André Luiz, no livro Os mensageiros (FEB, 1944), psicografado por Chico Xavier. Colocar em ação o chamado Evangelho no Lar é, portanto, uma medida tão simples quanto valiosa, que atrai energias positivas, contribui para uma relação familiar harmoniosa e, ainda, ajuda a compreender com clareza as lições da doutrina espírita.
Na prática, podemos definir o Evangelho no Lar como uma reunião familiar com o objetivo de estudar os ensinamentos de Jesus Cristo e Allan Kardec para melhor vivenciá-los no dia a dia. Ele deve ser realizado, de preferência, uma vez por semana, sempre no mesmo dia e horário. O indicado é iniciar com uma prece, realizar a leitura de um trecho do O evangelho segundo o espiritismo em seguida, abrir espaço para que todos os presentes comentem as mensagens recebidas, dedicar alguns minutos à vibração conjunta em direção a bons espíritos e, por fim, concluir com uma prece de agradecimento.
Não há tempo mínimo ou máximo para as reuniões. O importante é que cada componente do lar participe com o desejo sincero de limpeza espiritual e aprendizagem, e nunca encarando a tarefa como uma obrigação. Amigos podem comparecer, desde que estejam na mesma sintonia da família. As crianças também são bem-vindas e podem, inclusive, interpretar e comentar as lições do Evangelho de acordo com suas experiências na escola ou em casa.
“Embora seja importante a troca de experiências realizada em um centro espírita, devo confessar que passei a sentir grandes mudanças no meu cotidiano quando comecei a realizar o Evangelho no Lar”, afirma a dona de casa paulista Maria Padilha dos Santos, que realiza reuniões em sua casa há quase dez anos. “Desde o início incentivei a participação de todos, até mesmo das crianças mais novas, e tenho certeza de que isso ajudou a estreitar nossas relações afetivas e manter a comunhão familiar. Sem dúvida, aconselho a todos que façam o mesmo”, completa Maria.