Saiba mais sobre a vida, a missão e o legado de Allan Kardec, o codificador da doutrina espírita
Texto • Erica Franquilino
Allan Kardec já tinha mais de 50 anos quando iniciou suas pesquisas sobre os fenômenos ditos sobrenaturais. Àquela época, ele não podia imaginar que, ao abraçar essa missão, estaria dando início à codificação da doutrina que hoje conhecemos como espiritismo e que, através dela, deixaria um indiscutível legado de paz para toda a humanidade.
Ao perceber a importância de sua tarefa, Kardec escreveu: “Senhor, está nas tuas mãos a minha vida, dispõe do teu servo. Reconheço a minha fraqueza diante de tão grande trabalho. Supre a minha deficiência; dá-me as forças físicas e morais que me forem necessárias e ampara-me nos momentos difíceis”. Por fim, ele promete: “Com teu auxílio e dos teus celestes mensageiros, tudo envidarei para corresponder aos teus desígnios”.
Allan Kardec nasceu Hippolyte Léon Denizard Rivail, em outubro de 1804, na cidade de Lion, na França. Filho do juiz Jean Baptiste Antoine Rivail e de Jeanne Louise Duhamel, cresceu em uma família bastante tradicional, voltada às áreas da advocacia, magistratura e da educação. Filho de pais católicos e vivendo em um país cuja maioria era protestante, conviveu de perto com as duas religiões, sem, porém, se envolver profundamente com nenhuma delas.
Desde os primeiros anos de infância, o pequeno Hippolyte revelou-se muito inteligente, com clara vocação para os temas científicos e filosóficos. Ao completar 10 anos, foi estudar no Instituto de Yverdon, na Suíça, dirigido pelo educador Johann Pestalozzi.
Em pouco tempo, o garoto já havia se tornado um dos discípulos mais aplicados de Pestalozzi. As lições aprendidas em Yverdon e o exemplo de vida do educador deixaram uma herança que norteou para sempre a vida do jovem Hippolyte. Mais alguns anos e o rapaz brilhante já falava fluentemente alemão, inglês, italiano, espanhol e arranhava o holandês. Aos 14 anos, ensinava o que havia aprendido aos colegas.
Quando terminou os estudos e voltou para a França, tornou-se membro de várias sociedades de intelectuais, propagou o método pedagógico de Pestalozzi e recebeu diversas honrarias ao longo de sua carreira como professor e diretor de colégios. Em Paris, conheceu Amélie Gabrielle Boudet, professora e autora de livros didáticos, com quem se casou em 1832.