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Filosofia budista para o hoje

Publicado por Redação em 29/09/2010 às 16h26

Mudança de foco

Além de estimular a habilidade de enxergar as coisas tais como são, a prática meditativa também pode abrir as portas para a felicidade interior. Por meio desta técnica, conseguimos deixar de dar importância demasiada aos bens materiais e só nos direcionamos às nossas verdadeiras fontes de alegria, pois passamos a viver sempre o aqui e o agora.

Para atingir esse estágio, o segredo não é abdicar de todas as posses e viver sem nada, afinal de contas o budismo também aponta a perseverança como uma qualidade necessária aos homens. A grande mudança se faz, na verdade, a partir do momento em que lançamos um novo olhar sobre aquilo que possuímos.

O primeiro passo importante é criar a consciência de que adquirir o carro do ano ou a roupa de marca não garantirá felicidade. Afinal, mesmo o veículo, que é algo de grande utilidade, nunca passará de um simples veículo. Dessa forma, nos libertamos dos objetivos materiais, mudamos de postura diante da vida e, finalmente, colocamos o desapego em prática. “É através da meditação que nós vamos perceber qual a nossa necessidade verdadeira”, explica a Monja Coen, missionária da tradição Soto Shu – Zen Budismo e fundadora da Comunidade Zen Budista.

E muito se fala sobre a compaixão, mas poucas pessoas compreendem o que esta virtude realmente representa. De acordo com a Monja, ter compaixão é reconhecer-se no outro e conseguir ficar alegre com a alegria do próximo. "Ao demonstrar compaixão, muitas vezes, basta um abraço, ouvir o lamento. Quando compartilhamos nossa dor, nos sentimentos aliviados", explica.

No livro Transforme sua vida (Editora Tharpa), Geshe Kelsang Gyatso afirma que os seres humanos têm uma grande oportunidade de cultivar a semente búdica. "Podemos ampliar e aprofundar nossa compaixão, até que ela se transforme na mente de grande compaixão, ou compaixão universal – o desejo de proteger todos os seres vivos, sem exceção, dos seus sofrimentos".

Gyatso também afirma que muitas vezes desejamos que pessoas queridas se livrem de seus sofrimentos por razões puramente egoístas, mesmo sem perceber. Por exemplo, desejar que um amigo se recupere logo de uma doença para que possamos voltar a desfrutar de sua companhia. "Esse desejo, em grande parte autocentrado, não é compaixão verdadeira. A verdadeira compaixão se baseia, necessariamente, em apreciar os outros", conclui.



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