Amar é provavelmente a necessidade universal mais sublime e mais difícil de ser atendida. Os romancistas discursaram sobre o amor, os poetas o proclamaram, mas na prática não é fácil conquistá-lo. Cristo discursava sobre o amor estonteante, um amor que gera uma fonte de prazer e de sentido existencial. Aquele simples homem de Nazaré, que teve tantas dificuldades na vida, que sofreu desde a infância e, quando adulto, não tinha onde reclinar a sua cabeça, não apenas destilou sabedoria da sua dor e extraiu poesia da sua miséria, mas ainda achou fôlego para falar de um amor arrebatador: "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei...".
Na sua última ida a Jerusalém, logo antes da crucificação, ele sofreu intensa perseguição por parte dos herodianos, dos fariseus e dos saduceus, que faziam parte de partidos religiosos. Todos procuravam testá-lo para cair em alguma contradição. Esperavam que Cristo dissesse alguma heresia contra as tradições judaicas ou que dissesse algo que fosse contra o regime de Roma. Todavia, ele silenciava a todos com sua inteligência. Apesar de silenciá-los e de provocar grande admiração nesses opositores, tinha consciência de que logo iria morrer. Era só questão de tempo e ele seria apanhado longe da multidão, por isso ele discorria sem rodeios sobre seu julgamento e sobre as dores que iria padecer.
O clima era ameaçador, capaz de tirar o sono de qualquer um. A cúpula judaica já havia armado diversos esquemas para prendê-lo e matá-lo. Do ponto de vista lógico, não havia espaço para Cristo se preocupar com outra a não ser com sua própria segurança. Entretanto, apesar da tensão exterior, ele não se deixava perturbar. O mundo à sua volta estava agitado, mas ele se mostrava tranqüilo e ainda tinha tempo para discorrer com seus íntimos sobre o amor transcendental, um amor que lança fora todo medo. Como é possível alguém que está rodeado de ódio discursar sobre o amor?
Cristo estava para ser eliminado da terra dos viventes, todavia ainda cuidava carinhosamente daqueles Galileus que tantas vezes o decepcionaram. Preparava-os para serem fortes e unidos, em detrimento do drama que ele atravessaria. Equipava-os para que aprendessem a arte de amar.
Ele discursava sobre o amor difícil de ser investigado, que está muito além dos limites da sexualidade, dos interesses particulares. Um amor que se doa e que se preocupa mais com os outros do que consigo mesmo.
Augusto Cury é psiquiatra, psicoterapeuta e escritor. Criou a teoria sobre o funcionamento da mente e a construção do pensamento chamada Inteligência Multifocal. Desenvolve, na Espanha, pesquisa em Ciências da Educação na área de qualidade de vida e é conferencista em congressos nacionais e internacionais.
Mestre dos mestres faz parte da coleção Análise da Inteligência de Cristo, composta por cinco volumes, todos de autoria de Augusto Cury.
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