Ele sobreviveu ao tempo, manteve a forma e chegou à modernidade com a corda toda. Fique por dentro desta prática milenar e descubra por que ela é capaz de fazer maravilhas por você
Texto • Geisa D'avo
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Nos primórdios da civilização chinesa, provável época em que o Tai Chi Chuan foi concebido, não existiam carros e, portanto, não havia a menor possibilidade de alguém ficar preso (e estressado) por horas a fio num engarrafamento. A rotina de um trabalhador daqueles tempos também nada tinha em comum com a que estamos habituados, afinal, passar o dia inteiro dentro de um escritório ou sentado em frente a um computador são costumes exclusivos da nossa sociedade. Isso sem falar da corrida constante contra o relógio e do esgotamento físico e emocional quase inerentes ao homem de hoje.
Situações assim mostram, por si só, o quão distantes já estamos dos chineses que criaram e difundiram esta importante arte milenar. Então, como é possível que, mesmo diante desse abismo de tempo e espaço, uma prática tão antiga como o Tai Chi Chuan continue tão atual?
Para responder a esta pergunta, basta dizer que a técnica oferece um pacote completo ao homem moderno. “O Tai Chi Chuan se compõe de uma arte marcial, de um sistema de saúde e de um sistema de desenvolvimento psicofísico e espiritual. Trata-se de uma sequência de movimentos físicos que são reproduzidos em ‘câmera
lenta’, o que o transforma num sistema de aprendizado muito especial e permite que seus praticantes desenvolvam a atenção em profundidade, além de consciência corporal”, lembra Maria Angela Soci, presidente da Sociedade Brasileira de Tai Chi Chuan (SBTCC).
Grosso modo, isso significa que praticá-lo seria como integrar, por exemplo, terapia, meditação e ginástica numa única atividade. É claro que, para reunir tantos atributos, este sistema não ficou congelado no tempo; ao contrário, foi sendo aprimorado geração após geração. E, para entender melhor como isso aconteceu, é preciso relembrar alguns episódios da História chinesa.