Grandes nomes do esporte brasileiro, como os astros do basquete Magic Paula e Oscar Schmidt, contam a importância que o preparo mental teve em suas carreiras
Texto • Daniel John Furuno
Maria Paula Gonçalves da Silva é um dos nomes mais importantes do basquete feminino brasileiro. Ao longo de seus 30 anos de carreira, foi uma das responsáveis pela popularização do esporte, graças a conquistas antológicas, como a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de 1991, em Havana (Cuba), e o Campeonato Mundial de 1994, disputado na Austrália.
“Mente e corpo são indissociáveis, não importa se você é atleta ou não. Em nossas vidas, muitos dos problemas físicos que enfrentamos estão ligados a causas psicológicas ou emocionais. Em termos de preparação mental para atletas, o Brasil infelizmente ainda está anos-luz atrás de outros países. Muitas equipes encaram a questão com preconceito. Eu mesma só fui ter contato com técnicas de mentalização e respiração no final da minha carreira, graças a um preparador físico mais eclético. E apesar de ter começado a aplicá-las na prática esportiva de maneira tardia, foi algo importante para mim, eu sentia os resultados.
Creio que só o tempo é que dá a dimensão da importância do preparo mental. Quando você é muito jovem, tende a achar que só a parte física é importante. Mas não é difícil ver um jovem atleta com uma postura apática durante o jogo. Provavelmente, é resultado do excesso de ansiedade ou zelo, que acaba gerando certos reflexos no corpo.
Aprender a ter controle sobre o comportamento mental é algo importante para todos nós. Quando perdemos esse controle, fatalmente acabamos falando ou agindo de certas maneiras que nos afetam negativamente”.