Para o estilo Yang de Tai Chi Chuan, um dos mais praticados, existem 10 pontos que norteiam o praticante. Então, nada melhor que conhecê-los para vivenciar de fato esta arte
Texto • Redação

Estes princípios foram desenvolvidos pelo mestre Yang Chengfu (neto do Grão Mestre Yang Luchan, criador do estilo Yang) e têm, basicamente, três intuitos: corrigir a postura, coordenar os movimentos e harmonizar a mente. Apesar de aparentemente simples, transformá-los em prática requer muito estudo e pode levar tempo. Por isso, vale a pena refletir sobre eles antes, durante e depois da prática e fazer deles verdadeiros guias para sua evolução.
Mantenha-se ereto, com a cabeça e o pescoço naturalmente firmes, mentalizando com concentração o topo da cabeça. Para que o sangue e a energia vital circulem sem bloqueios, procure desenvolver tal posição com suavidade, sem tencionar estas partes do corpo.
Mantenha o peito ligeiramente para dentro para facilitar a respiração no Tan Tien (baixo ventre). Assim, você ativa e mantém a energia vital e faz emergir uma grande força da espinha. O contrário, o peito para fora (protuberante), torna a respiração difícil.
Textos clássicos ensinam: “A força vital vem da cintura”. Assim, quando relaxamos a cintura, os pés têm força o suficiente para formar uma base sólida. Os movimentos desajeitados no Tai Chi Chuan surgem de ações erradas com esta parte do corpo.
É de suma importância no Tai Chi Chuan distinguirmos entre “Xu” vazio e “Shi” cheio. Assim, se mudarmos o peso do corpo para a perna direita, então, esta perna estará plantada solidamente no solo, enquanto a esquerda estará na forma vazia. E vice-versa. Ao entender isso, podemos girar e mover o corpo sem esforço, caso contrário, ficamos lentos, desajeitados e não conseguimos permanecer estáveis em nossos pés.
Devemos manter os ombros na posição natural, relaxados. Se elevarmos os ombros, o Chi (energia vital) sobe com eles e todo o corpo fica sem força. Os cotovelos também devem se manter naturalmente posicionados para baixo para que os ombros permaneçam relaxados e nosso corpo se movimente de maneira suave.
“Flexível na aparência, mas poderoso na essência” – é o que ensinam os mestres em Tai Chi Chuan. Aliás, outra lição afirma que um mestre deve ter braços tão fortes como varas de aço recobertas de algodão, ou seja, com imenso poder oculto. Assim, na prática desta arte marcial, a força bruta é totalmente dispensável. Mas, talvez fique a pergunta: como é possível aumentar a potência ou a resistência sem exercer força? De acordo com a medicina tradicional chinesa, todos nós temos um sistema de canais (meridianos) que fazem do corpo um todo integrado. Quando o meridiano está livre, a energia vital circula por todo organismo. Mas se o meridiano for preenchido com força bruta, a energia vital (Chi) será bloqueada e o corpo não vai se mover facilmente ou com suavidade, portanto não terá potência.
De acordo com a teoria do Tai Chi Chuan, a raiz está nos pés, a força é emitida através das pernas, controlada pela cintura e expressa pelos dedos. Assim, pés, pernas e cintura formam um todo harmonioso. Quando este todo se move, os olhos devem seguir o seu movimento. Mas isto acontece apenas quando há plena coordenação entre a parte superior e inferior. Caso contrário, os movimentos serão desconectados e cairão em desordem.
Praticando Tai Chi Chuan o foco está na mente e na consciência. Daí o ditado: “a mente é o comandante e o corpo seu subserviente”. Com a tranqüilidade da mente, os movimentos serão suaves e graciosos. Com relação à “forma” há apenas o Xu (vazio), Shi (sólido), Kai (aberto) e He (fechado). Kai (aberto) não significa apenas abrir os quatro membros, mas a mente também; e He (fechado) significa fechar a mente junto com os quatro membros. A perfeição é atingida quando se unifica os dois e se harmoniza o interno e o externo num todo completo.
No caso das escolas externas (que enfatizam o ataque), a força que se exerce é rígida e os movimentos não são contínuos. Neste caso, quando acontecem paradas de movimentos, permite-se que o oponente tire vantagem. No Tai Chi Chuan, como vimos, focaliza-se a atenção na mente e não na força, por isso os movimentos de início ao final são contínuos e num círculo infinito –“como um rio que flui sem fim” ou “como tirar cera do casulo.”
Nas escolas externas com ênfase no ataque, aprende-se a saltar, dar pancadas, socar e exercer força, o que leva, frequentemente, o praticante a ficar ofegante após o treino. Isto não acontece no Tai Chi Chuan, já que o movimento é combinado com a tranquilidade da mente. Na prática da “forma”, por exemplo, quanto mais lento o movimento, melhores resultados são conseguidos. Ao treinar com calma e concentração pode-se respirar profundamente, fazendo a respiração no Tan Tien (baixo ventre). O resultado é um efeito suavizante no corpo e na mente. Por isso, aprendizes conseguem uma melhor compreensão de tudo isto, através de estudo cuidadoso e prática persistente.
Sociedade Brasileira de Tai Chi Chuan
Site: www.sbtcc.org.br