Bhagavad Gita: um guia para a vida

Publicado por Redação em 13/10/2010 às 18h21

Mais do que um conto mitológico, o Bhagavad Gita é uma verdadeira aula de espiritualidade, e é dele que vem grande parte dos preceitos que regem as tradições orientais de bem-estar. Saiba, a seguir, tudo sobre esse tão importante texto sagrado

Origem da obra

Texto • Thiago Perin



O que é o Bhagavad Gita?

É uma dos textos mais antigos e importantes da Índia. Os hinduístas acreditam o Bhagavad Gita, que narra um episódio mitológico protagonizado pelo deus Krishna e por um príncipe hindu, carrega a essência do conhecimento védico – ou seja, os conceitos que regem toda a filosofia hinduísta. Ele tem cerca de 700 versos, divididos em 18 capítulos. É uma das partes – precisamente, a 6º parte – do Mahabharata, o maior livro da Índia Antiga, que ao todo tem mais de 70 mil versos. O nome Bhagavad Gita (lê-se bágava guita), significa, em sânscrito, algo como Canção de Deus, devido à métrica perfeita e à musicalidade dos versos originais. Tais versos, que consistem nos ensinamentos de Krishna, formam uma espécie de guia prático para a vida de acordo com os preceitos védicos. E é deles que saem grande parte dos fundamentos que regem as práticas da meditação e do yoga até hoje.
 

Quando e por quem foi escrito?

Não se sabe ao certo. Alguns estudiosos sugerem que o texto do Bhagavad Gita foi colocado no papel em algum período entre os séculos 5 e 2 a.C. Já sua autoria – pela menos na versão que chegou aos dias de hoje – é comumente atribuída a um sábio indiano chamado Vyasa, que teria sido o responsável pela compilação das histórias que compõem o Mahabharata e outras obras importantes da tradição hindu. Dizemos "compilação" porque as narrativas de praticamente todos os livros da Índia Antiga foram transmitidas oralmente por vários séculos antes de serem finalmente  registradas. Então, permanecem anônimas e não levam datação oficial.

O que ela diz

Do que se trata?

É um diálogo entre Krishna, uma das manifestações do deus Vishnu, e o príncipe Arjuna. Os dois discutem em pleno campo de batalha, pouco antes do início da mitológica Guerra de Kurukshetra – um embate que teria durado 18 dias, em algum momento entre os anos 3.000 e 1.000 a.C. Dois grupos antagônicos de uma mesma família estão prestes a lutar pelo poder, o que coloca Arjuna num profundo dilema: ele deve guerrear contra pessoas de seu próprio sangue, ainda que estes sejam seus inimigos? Frente à confusão do jovem, Krishna lhe explica o dever de um guerreiro, a propriedade transcendental do espírito e a importância da devoção ao Ser Supremo, registrando conceitos que se tornariam as bases da filosofia hinduísta.
 

É uma história real?

Não há qualquer comprovação. A Guerra de Kurukshetra é parte da mitologia indiana, tal como os famosos contos que versam sobre a origem do universo, o nascimento de Brahma de uma flor-de-lótus que brotou do umbigo de Vishnu, a origem da cabeça de elefante de Ganesha... Gandhi, por exemplo, dizia enxergar a trama do livro sagrado apenas como uma alegoria, uma “fábula inspiradora”, na qual o campo de batalha seria o espírito e o príncipe Arjuna representaria a natureza humana lutando contra os impulsos do mal. Como se trata de uma obra de imensa profundidade, o ideal é que cada um faça sua própria interpretação após uma leitura concentrada – ou várias delas.

Por que é importante

Por que é importante conhecê-lo?


 

Não é exagero dizer que o Bhagavad Gita é uma obra enriquecedora para qualquer pessoa interessada na sabedoria indiana. A partir de exemplos e analogias poéticas, Krishna discorre sobre a teoria e a prática dos principais fundamentos do conhecimento védico, detalhando, entre outros, a preparação adequada para a meditação, a utilização correta do mantra Om, o processo de formação de um mestre do yoga e o caminho ideal para a elevação do espírito. Assim, qualquer um tem bastante o que aprender com ele. Talvez por permitir uma variedade tão grande de leituras – que podem ser feitas sob um aspecto filosófico, metafísico, moral, espiritual, unicamente prático ou mesmo literário –, o Bhagavad Gita tem, em geral, uma aceitação bem grande entre o público ocidental.