Conheça a trajetória e o imenso legado de Sri Tirumalai Krishnamacharya, um dos yogues mais importantes da história, considerado o pai de todas as vertentes modernas do yoga
Texto • Renata Guerra
Em uma pequena aldeia do sul da Índia, vivia um menino inquieto e sonhador, que gostava de correr entre as montanhas e florestas de seu vilarejo, ler qualquer pedaço de papel que caísse em suas mãos e, principalmente, ouvir as histórias que seu pai lhe contava sobre seus antepassados.
Ao completar cinco anos, esse menino descobriu que sua família descendia diretamente de Nathamuni, um sábio yogue do século 10, discípulo do guru Nammazvar, cuja fama se estendia por todo o país.
Era o fim do século 19 e o garoto, chamado Tirumalai Krishnamacharya, ficou tão encantado com a descoberta que abraçou o firme propósito de seguir os passos de Nathamuni, apesar da pouca idade. Com seu pai, aprendeu os primeiros asanas e, em pouco tempo já estava familiarizado com a milenar filosofia indiana. A partir desse momento, não há como mensurar qual transformação foi maior: a que o yoga provocou na vida de Tirumalai ou a que Tirumalai provocou na história do yoga.
Ainda criança ele tornou-se discípulo do diretor do Parakala Mutt, Sri Krishna Brahmatantra Swami, enquanto mantinha estudos das tradições védicas e, ao mesmo tempo, dedicava-se à educação formal. Depois de se formar, viajou para o Himalaia, onde conheceu o professor de yoga Sri Ramamohan Brahmachary, que foi seu mentor por cerca de sete anos.
Quando se sentiu preparado, Krishnamacharya passou de discípulo a mestre. Tão logo começou a ensinar o yoga que havia aprendido, abriu novas possibilidades para a antiga sabedoria: quebrou o tabu que proibia mulheres de frequentarem as aulas, passou a aceitar alunos ocidentais e, por fim, desenvolveu a tese de que cada pessoa precisa de exercícios e lições específicas, e que identificar esse “yoga pessoal” é uma das tarefas mais importantes do professor.
Quando se sentiu preparado, Krishnamacharya passou de discípulo a mestre. Tão logo começou a ensinar o yoga que tinha aprendido, abriu novas possibilidades para essa antiga sabedoria: quebrou o tabu que proibia mulheres de freqüentarem as aulas, passou a aceitar alunos ocidentais e, por fim, desenvolveu a tese de cada pessoa precisa de exercícios e lições específicas, e que identificar esse “yoga pessoal” é uma das tarefas mais importantes do professor.
Assim como o desejo de inovar, o apreço por pesquisas eruditas e um vasto conhecimento da anatomia humana eram características marcantes do yogue. “Poucos, como ele, conseguiram desenvolver tão habilmente capacidades do corpo e da mente”, afirma Mário Fortes, professor de yoga e especialista em cultura indiana de Ribeirão Preto, SP.
A partir da década de 30, Krishnamacharya vislumbrou um novo método de praticar os asanas, baseado em uma série de posturas dinâmicas. Essa criação, que na época foi indicada para crianças e adolescentes, foi fundamental para a criação das modernas vertentes do yoga.