Mais do que um conto mitológico, o Bhagavad Gita é uma verdadeira aula de espiritualidade, e é dele que vem grande parte dos preceitos que regem as tradições orientais de bem-estar. Saiba, a seguir, tudo sobre esse tão importante texto sagrado
Texto • Thiago Perin

É uma dos textos mais antigos e importantes da Índia. Os hinduístas acreditam o Bhagavad Gita, que narra um episódio mitológico protagonizado pelo deus Krishna e por um príncipe hindu, carrega a essência do conhecimento védico – ou seja, os conceitos que regem toda a filosofia hinduísta. Ele tem cerca de 700 versos, divididos em 18 capítulos. É uma das partes – precisamente, a 6º parte – do Mahabharata, o maior livro da Índia Antiga, que ao todo tem mais de 70 mil versos. O nome Bhagavad Gita (lê-se bágava guita), significa, em sânscrito, algo como Canção de Deus, devido à métrica perfeita e à musicalidade dos versos originais. Tais versos, que consistem nos ensinamentos de Krishna, formam uma espécie de guia prático para a vida de acordo com os preceitos védicos. E é deles que saem grande parte dos fundamentos que regem as práticas da meditação e do yoga até hoje.
Não se sabe ao certo. Alguns estudiosos sugerem que o texto do Bhagavad Gita foi colocado no papel em algum período entre os séculos 5 e 2 a.C. Já sua autoria – pela menos na versão que chegou aos dias de hoje – é comumente atribuída a um sábio indiano chamado Vyasa, que teria sido o responsável pela compilação das histórias que compõem o Mahabharata e outras obras importantes da tradição hindu. Dizemos "compilação" porque as narrativas de praticamente todos os livros da Índia Antiga foram transmitidas oralmente por vários séculos antes de serem finalmente registradas. Então, permanecem anônimas e não levam datação oficial.